Petróleo disparou, mas engarrafamento no Suez não deve aumentar preços dos combustíveis

Até as petrolíferas passaram a valer mais nas bolsas. Associação do setor diz que são tendências normais num mercado que anda tão instável.

O secretário-geral da Associação Portuguesa De Empresas Petrolíferas (APETRO) está convencido que os preços dos combustíveis não irão aumentar com o bloqueio do Canal do Suez por um porta-contentores que parou e criou uma fila numa das vias marítimas mais movimentadas do mundo que permite evitar que os navios tenham de contornar todo o Continente africano.

Na quarta-feira, por causa deste incidente, os preços do petróleo nos mercados internacionais subiram mais de 5% e as ações das empresas petrolíferas (incluindo as da Galp) também inverteram a tendência de descida que se sentia nos últimos tempos.

O secretário-geral da APETRO diz à TSF que este é um mercado "muito sensível a qualquer perturbação" e por vezes basta "uma simples declaração de um responsável político para alterar as cotações do produto, pelo que ainda mais um incidente físico que pode perturbar durante um determinado período de tempo o fluxo do petróleo".

António Comprido acredita, contudo, que "é um fenómeno pontual que não levará, de maneira nenhuma, a uma escalada significativa dos preços, pois logo que o navio seja desencalhado os preços regredirão para os valores que existiam antes".

Para os postos de combustível a APETRO também não teme "dificuldades no normal abastecimento pois hoje há alternativas quer de rotas quer de fornecedores para ultrapassar o bloqueio do Suez, mesmo que este se prolongue no tempo".

Ou seja, nem no caso de um bloqueio longo, se o navio não for desencalhado em breve, os preços devem subir, não se prevendo nenhuma mudança "estrutural".

Agostinho Pereira de Miranda, especialista no mercado do petróleo, partilha da opinião do responsável da APETRO, apesar de admitir que o Suez sempre foi um canal muito importante para o fluxo desta matéria-prima, apesar da construção de pipelines alternativos para produtos refinados.

No sentido do Mar Vermelho para o Mediterrâneo passam milhões de barris, 7% da produção mundial; e no sentido inverso também passa uma percentagem significativa, mas menor, provavelmente de 5%, de produtos refinados.

Sobre a subida das cotações do petróleo registadas depois do bloqueio do Suez, Agostinho Pereira de Miranda recorda que estamos numa fase histórica de grande instabilidade dos preços que resulta, acima de tudo, da crise económica mundial provocada pela pandemia e que nas últimas semanas levou os preços para baixo.

A situação no Canal do Suez provocou um aumento "bastante significativo" dos preços nos mercados internacionais, mas será apenas algo temporário para durar poucos dias: "estas oportunidades são aproveitadas pelos operadores dos mercados financeiros", nomeadamente especulando com os preços e as suas flutuações.

Para quem se preocupa com o aumento dos preços nas bombas de gasolina e gasóleo, o especialista não teme esse efeito: "O que fará aumentar esses preços será uma inversão da tendência estrutural com uma retoma significativa da economia mundial" que tem sido fortemente prejudicada pela pandemia da Covid-19.

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