Portugal desce um degrau nas notas à banca

O crescimento económico de Portugal moderou-se na primeira metade de 2019 para 1,9%, e a Moody's espera que abrande para 1,7% em 2019.

A agência de notação financeira (rating) norte-americana Moody's diminuiu a perspetiva da banca portuguesa de positiva para estável, devido ao abrandamento do crescimento económico no país e na zona euro, foi divulgado esta segunda-feira.

"A perspetiva para o sistema bancário português mudou para estável, de positiva, uma vez que o crescimento económico do país deve abrandar em linha com o resto da zona euro", pode ler-se num relatório da Moody's divulgado esta segunda-feira.

Maria Vinuela, analista da agência de notação financeira, afirmou esperar "que o capital dos bancos portugueses, os lucros, e condições de financiamento permaneçam estáveis nos próximos 12-18 meses".

"Os lucros irão provavelmente permanecer próximos dos atuais níveis baixos, com menores gastos em provisões e iniciativas de redução de custos a compensarem largamente volumes de negócios moderados e taxas de juro muito baixas", afirmou ainda a analista.

A Moody's prevê ainda que os ativos não produtivos dos bancos "irão continuar a cair organicamente e ajudados por vendas de carteiras, mas irão permanecer altos para os padrões europeus".

"A sua [portuguesa] média de crédito malparado foi de 8,9% no final de junho, comparando com uma média da União Europeia de 3,0%", salienta a agência.

A instituição norte-americana crê ainda que "as necessidades de financiamento [dos bancos portugueses] irá permanecer baixa graças à desalavancagem e a uma base de depósitos estável".

"O crescimento económico de Portugal moderou-se na primeira metade de 2019 para 1,9%, e a Moody's espera que abrande para 1,7% para 2019 como um todo, convergindo depois para uma taxa potencial de 1,5%", pode ainda ler-se na nota da agência.

A Moody's destaca que apesar das "condições de crédito no país terem melhorado, a dívida dos agregados domésticos permanece acima da média da zona euro".

Já o endividamento das empresas em percentagem do PIB (Produto Interno Bruto) "está abaixo da média da zona euro, tendo-a ultrapassado nos últimos seis anos", apesar de "permanecer particularmente elevado nas Pequenas e Médias Empresas [PME]".

Em termos de capital, a Moody's entende que os "lucros modestos" do setor afetam a capacidade de geração interna de capital.

"Os bancos melhoraram a sua capacidade de absorção de perdas nos últimos anos, apesar de um largo número de ativos por impostos diferidos (DTA), que consideramos um tipo de capital de baixa qualidade, compromete a força do seu capital. O capital dos bancos portugueses é mais fraco do que o da maioria dos pares europeus", acrescenta a Moody's no relatório completo divulgado esta .

A Moody's indica ainda que os Requisitos Mínimos para Fundos Próprios e Passivos Elegíveis (MREL) da União Europeia "vão forçar os bancos a emitir mais instrumentos de dívida que absorvem perdas".

A agência continua ainda "a assumir uma probabilidade moderada de apoio do Estado aos dois maiores bancos de Portugal": a Caixa Geral de Depósitos e o BCP.

Os cinco maiores bancos em Portugal contabilizaram lucros agregados de 983,1 milhões de euros até setembro deste ano, uma diminuição de 405,4 milhões de euros face ao registado no mesmo período de 2018.

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