Portugueses fazem mais compras online e cada vez mais em lojas portuguesas

No início da semana da economia digital, um estudo conclui que a pandemia trouxe mudanças importantes nas compras eletrónicas. A ACEPI acredita que são mudanças que chegaram para ficar.

O volume de compras eletrónicas em Portugal deve crescer cerca de um terço este ano, em relação a 2019.

As estimativas são avançadas num estudo sobre a penetração da Internet, que incluí dados dos meses de pandemia.

De seis mil milhões de euros (2,9% do PIB) em 2019, a ACEPI - Associação para a Economia Digital acredita que 2020 pode chegar ao fim com oito mil milhões de euros em compras na net.

Mas, mais do que o volume de dinheiro, é na tendência que está a principal conclusão deste estudo: compra-se mais em lojas portuguesas, e compra-se mais vezes.

No estudo da ACEPI conclui-se que mais de metade das pessoas com acesso à internet em Portugal já comprou online.

E os clientes desconfiam cada vez menos dos métodos de pagamento, preferindo, na maioria das vezes, usar a referência multibanco para realizar o pagamento.

No estudo realizado pela ACEPI, e cuja apresentação marca o arranque da semana da economia digital, é ainda apontada uma tendência: o principal desejo dos clientes de lojas online é poderem receber em casa os produtos que compram no próprio dia, ou no dia seguinte à compra.

Mudança veio para ficar

O presidente da ACEPI acredita que este ano da pandemia vai marcar uma viragem no panorama das compras eletrónicas e do acesso a serviços digitais.

Em declarações à TSF, Alexandre Nilo Fonseca regista a intenção de muitos negócios, mesmo pequenos, estarem presentes na internet com uma loja.

O presidente da ACEPI sublinha que nem todas as empresas estavam preparadas para esta mudança, mas que mostraram muita vontade de responder à exigência da pandemia. De resto, esse é um problema da economia digital em Portugal. Falta formação digital a quem usa a internet e a quem trabalha.

Alexandre Nilo Fonseca entende que o facto de existir, no Governo, uma pasta da transição digital, e de o tema ser prioridade assumida pela Comissão Europeia, é um sinal de alinhamento de forças para resolver um problema.

O responsável explica que existem três níveis na população portuguesa: "os que são ágeis na utilização da internet; os que sabem utilizar correio eletrónico, fazer buscas simples e utilizam as redes sociais; e os que não utilizam de todo".

E depois, há os trabalhadores que não têm competências digitais para responder às mudanças nos respetivos empregos. Esses, alerta este responsável da ACEPI, terão de passar por processos de "upskilling" ou "reskilling", ou seja, têm de receber formação para novas competências, ou para novas funções.

Cimeira digital

Até dia 23, a Portugal Digital Summit, vai discutir os temas que marcam o momento da digitalização da economia. Não só o comércio eletrónico e os serviços digitais, incluindo os serviços públicos, mas também as mudanças em curso na saúde, na indústria, e na escola.

A saúde será uma das áreas onde a digitalização mais rapidamente vai surgir, devido à necessidade de capacitar os profissionais para métodos remotos.

Ao longo da semana, mais de 250 intervenções vão preencher uma cimeira totalmente online, gratuita e com transmissão num canal próprio dos quatro operadores de televisão por cabo (canal 420 da MEO, NOS, Vodafone e Nowo), e ainda na página da ACEPI e no Sapo Vídeo.

A semana da economia digital conclui-se no dia 23 de outubro, o dia das compras online.

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