Preços dos combustíveis. Governo reúne-se com transportadoras, mas avisa que "não há milagres"

O gasóleo sofreu na semana passada um agravamento superior a 14 cêntimos por litro, enquanto a gasolina ficou cerca de oito cêntimos mais cara. Esta semana, os preços voltam a aumentar.

O Governo vai reunir-se com as transportadoras por causa do aumento do preço dos combustíveis. O Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, confirmou, esta segunda-feira, que o Executivo irá receber os representantes das transportadoras.

Pedro Nuno Santos avisa, no entanto, que, perante a situação de guerra que se vive, os recursos são limitados e que "não há milagres" nesta matéria.

"Nós estamos atentos. Estamos a tentar estudar as melhores medidas, a trabalhar com as associações representativas do setor, mas não há milagres", alertou o ministro.

"Percebendo e estando consciente das dificuldades que os nossos transportadores estão a sentir, as possibilidades de o Estado resolver [o problema] não são ilimitadas", constatou Pedro Nuno Santos. "Vamos tentar encontrar soluções dentro de bandas estreitas. Vamos fazer esforço e temos reuniões já marcadas", adiantou.

Os preços dos combustíveis dispararam nas últimas semanas, atingindo os níveis mais altos da última década, devido aos receios de uma redução na oferta, provocada pela invasão russa da Ucrânia.

Em Portugal, o gasóleo sofreu na semana passada um agravamento superior a 14 cêntimos por litro, enquanto a gasolina ficou cerca de oito cêntimos mais cara.

A partir desta segunda-feira, o preço por litro do gasóleo deverá subir 13,6 cêntimos e o da gasolina 9,3 cêntimos, segundo contas feitas pela Lusa com base nos números fornecidos pelo Governo para a redução do ISP.

ANTRAM ouvida esta tarde

O ministro Pedro Nuno Santos recebe a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) na tarde desta terça-feira para receber o caderno de reivindicações aprovado este sábado, em Pombal. Para já, o líder da associação, Pedro Polónio, diz compreender as palavras do ministro.

O setor, garante, "não pretende ser financiado por parte do Governo", mas sim "ajudas muito específicas" para responder às necessidades a curto prazo. O valor estará "parcialmente acautelado pelas linhas de tesouraria avançadas esta semana pelo Governo", mas os 400 milhões de euros serão "aparentemente curtos".

"Acreditamos que o Governo estará atento a isso e irá projetar novas linhas caso estas se esgotem", explica Pedro Polónio, acrescentando que a ANTRAM quer propor medidas que permitam combater os prejuízos das empresas.

O líder da ANTRAM defende que esta é o momento de negociar e não o de "protestos e paralisações" parar, como é o caso dos transportadores que decidiram paralisar esta segunda-feira trezentos camiões, porque "Portugal, a Europa e o mundo, a passar uma fase muito difícil, merecem um setor muito responsável".

Pedro Polónio diz esperar "espaço de manobra para negociar" e para explicar as conclusões da reunião de sábado, reconhecendo que apesar de o Governo não ter recursos infinitos, este "terá alguma capacidade para ajudar" o setor.

Está marcada para as 17h30 desta terça-feira uma manifestação em frente à residência oficial do primeiro-ministro contra o aumento do preço dos combustíveis.

*Notícia atualizada às 14h38

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