Presidente da Lusa garante que cortes não vão afetar cobertura informativa

Comissão de trabalhadores da agência Lusa diz que está em causa a cobertura informativa regular. Presidente do conselho de administração da empresa considera que apenas o investimento tecnológico será afetado.

A agência de notícias Lusa, parcialmente detida pelo Estado, vai sofrer cortes de orçamento no próximo ano. Este fim de semana, a comissão de trabalhadores da Lusa afirmou que, mediante a redução do financiamento, pode estar em causa a cobertura informativa regular, incluindo o acompanhamento das visitas de Estado do Presidente da República e do primeiro-ministro.

Em declarações à TSF, o presidente do conselho de administração da Lusa, Nicolau Santos, negou, no entanto, que a cobertura editorial da agência noticiosa seja afetada pelos cortes. "Do ponto de vista editorial, não me parece que tenhamos limitações", declarou.

Nicolau Santos admitiu, no entanto, que os fracos recursos financeiros põem em causa o investimento tecnológico necessário para o desenvolvimento da agência de notícias.

"No próximo ano, estaremos severamente limitados em termos de investimento. Não teremos mais de 200 mil euros, no máximo. É um investimento escassíssimo para uma empresa como a Lusa, que, cada vez mais, necessita de muita tecnologia para se poder desenvolver", afirmou.

Esta segunda-feira, o Sindicato dos Jornalistas organiza, em Cascais, uma conferência sobre o financiamento dos media em Portugal, com o objetivo de encontrar soluções para a crise no setor da comunicação social. O encontro será encerrado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que tem apelado a um programa de emergência para os media.

O presidente do conselho de administração da Lusa sublinha que o problema de financiamento dos media é generalizado, mas é mais profundo em Portugal, devido ao reduzido número de ouvintes, leitores e espectadores dos meios portugueses. Nicolau Santos pede o envolvimento dos políticos nesta matéria e uma intervenção direta do Estado, por via fiscal ou de apoios económicos.

"Não é possível, no atual quadro da comunicação social, mantermos órgãos de comunicação social livres, isentos e independentes se não houver apoio com medidas públicas. Esse apoio não pode ser apenas assumido por um partido - esteja ele no Governo ou não -, tem de ser assumido pelos maiores partidos portugueses como sendo uma questão imperiosa, em termos de defesa da democracia", defendeu.

Nicolau Santos considera que também ao nível da União Europeia é preciso tomar medidas. "Há a necessidade de negociar ou impor aos grandes operadores internacionais - os grandes motores de busca, como o Google ou o Facebook - que parte das receitas que eles captam fiquem no país e que os Governos redistribuam esses valores pelos órgãos de comunicação social."

"Se não houver este consenso político, não vamos conseguir resolver o problema", concluiu.

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