Produção de máscaras já não é tábua de salvação para o setor têxtil

Começam a escassear as encomendas e a adensar-se as burocracias. O mercado nacional parece estar saturado e a Europa não facilita as exportações.

As encomendas de máscaras caíram a pique e aquela que foi em tempos a tábua de salvação para o setor têxtil (com um milhão de métodos de barreira produzidos todos os dias durante o início do mês de maio) encontra-se num momento de acentuada queda. Em parte, porque o mercado nacional está saturado, mas também porque as exportações revelam-se mais difíceis do que o esperado, nas teias da burocracia necessária para a certificação do equipamento.

As associações empresariais relatam ao Jornal de Notícias que os valores da produção portuguesa estão agora bem longe do auge e que o setor têxtil também foi afetado pela descida abrupta da compra de vestuário, intensificada pelo fecho de algumas das principais lojas de retalho.

Depois de praticamente esgotadas as possibilidades de venda de máscaras em Portugal - onde quase todos já deverão ter adquirido o produto -, também a porta de saída para a Europa é barrada pela necessidade de certificação de protótipos de cada um dos equipamentos nos Estados para onde seriam exportados, apesar de já haver uma certificação portuguesa da encomenda. A Euratex, confederação europeia que representa a atividade têxtil, pediu uma uniformização de critérios à Comissão Europeia, mas o problema continua sem resposta. Os critérios de filtração mínima de partículas são mais apertados na Alemanha, do que em Portugal e França, por exemplo.

Em abril, os têxteis viram reduzidas as exportações em 43% face ao período homólogo de 2019, sobretudo devido à quebra de encomendas de vestuário, de acordo com cálculos do Instituto Nacional de Estatística.

Mário Jorge Machado, presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, aponta, em declarações à TSF, que, em comparação com abril e maio, Portugal produz hoje apenas 20%, com um sentido maioritariamente de "renovação".

O mercado nacional e o mercado europeu estão abastecidos, mas, apesar de o setor atravessar "tempos difíceis", a associação têxtil não atira a toalha ao chão e quer procurar novas soluções. "Temos de ser realistas e perceber o que nos está a acontecer. Não podemos nem devemos dizer que vai ser a catástrofe total nem dizer que o problema já passou. Qualquer uma destas afirmações está longe da realidade."

"O setor têxtil português tem uma janela de oportunidade. Quando os consumidores começarem a querer consumir produtos feitos na Europa - todos vimos os problemas com as encomendas vindas da Ásia -, a indústria portuguesa estará numa boa posição para responder à reindustrialização na Europa."

Esta "janela de oportunidade" também se prende, na perspetiva de Mário Jorge Machado, com a "capacidade de resposta muito rápida" da indústria portuguesa e com a "transformação num elemento de moda" do produto até aqui apenas utilizado com a lógica de barreira de proteção.

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