Projeto para inovar no setor imobiliário apoiado pela Agência Espacial Europeia

A solução proposta "irá permitir comparar a localização dos imóveis de forma objetiva, traduzindo a facilidade de acesso a equipamentos e serviços que uma dada localização permite", com a espécie de um índice de atratividade.

Um projeto de investigação para mudar o paradigma na compra e venda de casas recebeu 50 mil euros do Business Incubation Center da Agência Espacial Europeia em Portugal (ESA BIC Portugal), foi anunciado esta sexta-feira.

O projeto "Localista", focado no "desenvolvimento de uma solução digital inovadora para o setor imobiliário, recebeu 50 mil euros do ESA BIC Portugal, revela a Universidade de Coimbra (UC), numa nota enviada esta sexta-feira à agência Lusa.

Liderado pelo docente e investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), no âmbito do programa MIT Portugal, João Fonseca Bigotte, o "Localista" pretende "mudar o paradigma na compra e venda de casas".

Hoje a informação disponibilizada nos websites imobiliários, um dos principais meios de pesquisa, "centra-se em dois critérios - descrição das características do imóvel e indicação do preço -, negligenciando um fator de decisão crucial - a localização", afirma, citado pela UC, João Fonseca Bigotte.

"A nova solução irá permitir comparar a localização dos imóveis de forma objetiva, traduzindo a facilidade de acesso a equipamentos e serviços que uma dada localização permite, ou seja, vamos fornecer um índice de atratividade (de A a E, de forma semelhante às classes de eficiência energética)", acrescenta.

Assim, refere ainda o investigador do Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente (CITTA), será possível que cada utilizador "encontre o imóvel mais adequado aos seus interesses, avaliando a localização deste em função das suas preferências de mobilidade e de qualidade/estilo de vida, por exemplo, o acesso a meios de transporte públicos" ou a proximidade a escolas ou a zonas verdes.

Para tal ser possível, "reunimos um conjunto de dados de diversas fontes, muitos deles georreferenciados, mas a grande inovação consiste em incorporar tecnologias espaciais, que no nosso caso respeitam a dados de satélite de observação da Terra, para conseguirmos determinar este nosso índice de atratividade de uma determinada localização", explicita João Fonseca Bigotte.

O projeto já conta com o interesse de "duas das cinco maiores agências de mediação imobiliária nacionais em realizar um projeto-piloto", que se traduzirá numa ferramenta "muito útil, quer para os agentes imobiliários quer para o consumidor final".

Atualmente, "uma das grandes dificuldades de um mediador imobiliário é conseguir perceber o que é que o cliente pretende exatamente e, por isso, muitas vezes mostra imóveis que não correspondem às expectativas de quem procura", sustenta João Fonseca Bigotte.

"Podemos dizer que o "Localista" vai facilitar a comunicação entre o mediador e o cliente. Para o mediador, permite efetuar uma melhor qualificação do cliente e uma melhor pré-seleção de imóveis a visitar. Para o cliente, permite encontrar e comparar imóveis mais adequados às suas expectativas", nota ainda o investigador do CITTA.

O ESA BIC, promovido pela Agência Espacial Europeia em vários países-membros, é coordenado em Portugal pelo Instituto Pedro Nunes (IPN), de Coimbra.

Este programa destina-se a apoiar financeiramente o desenvolvimento tecnológico de protótipos de soluções inovadoras, com elevado potencial de mercado, que incorporem tecnologias espaciais e/ou dados de satélite de observação da Terra.

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