Prolongamento do lay-off? Centrais sindicais criticam opção do Governo

A UGT lembra que o prolongamento do lay-off nunca esteve em discussão na concertação social.

As Centrais Sindicais estão reticentes com o prolongamento do lay-off simplificado. O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, admite estender o regime e acrescenta que esse período deve ser utilizado pelas empresas para requalificar os trabalhadores. A UGT e a CGTP concordam com a formação, mas criticam as opções tomadas pelo Governo.

Sérgio Monte, da UGT, estranha as palavras do ministro. Em declarações à TSF, o dirigente sindical afirma que na concertação social nunca se falou em prolongar o lay-off simplificado.

"Estranhamos que Pedro Siza Vieira admita prolongar o lay-off simplificado, não foi isso que nos disseram em concertação. Para as situações de empresas em grandes dificuldades, com grandes perdas de faturação, existe o lay-off normal que está na lei", lembra.

Por outro lado, Sérgio Monte concorda com a requalificação dos trabalhadores, mas sublinha que tem de ser feita durante o horário de trabalho. "Era uma reivindicação que a UGT defendia há muito tempo: a formação de trabalhadores, sobretudo os trabalhadores no ativo. Mas atenção, essa formação tem de ser durante o horário de trabalho", atira.

O dirigente sindical diz que não se podem verificar abusos, tal como ocorreu na primeira fase do lay-off. "Não podemos permitir que a formação seja dada fora do horário de trabalho, para que não se verifiquem abusos. Infelizmente, esses abusos verificaram-se na primeira fase do lay-off simplificado."

Também ouvida pela TSF, Isabel Camarinha, secretária-geral da CGTP, diz que a aposta na formação dos trabalhadores é importante, mas não é uma questão fundamental. A líder da CGTP critica as opções tomadas pelo Governo para garantir os postos de trabalho.

"É evidente que a formação é muito importante, e nós precisamos de qualificar os trabalhadores. Se estiverem em lay-off, pode ser aproveitado para formação. Mas o problema principal são as opções que o Governo tem vindo a tomar, e que não vão ajudar o país a recuperar da situação em que estamos", remata.

Isabel Camarinha admite que o que preocupa a central sindical é se o lay-off simplificado for renovado, uma vez que não vai ao encontro das necessidades dos trabalhadores. "Para nós, a grande preocupação é se esta opção comunicada pelo ministro da Economia for para a frente. Não é isso que garante o que é necessário para a recuperação do nosso país."

Pedro Siza Vieira, entrevistado pela TSF no âmbito da Semana do estado da Nação, admite que "no turismo e em algumas industrias" faz sentido manter o apoio, uma vez que "a retoma será mais lenta".

Ainda assim, o governante garante que se o lay-off simplificado for prolongado para lá do fim de julho, será apenas para as empresas que revelem perdas relevantes e prolongadas, em relação às receitas de anos anteriores.

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