Proprietários apelam ao Governo que levante proibição de pesca nas pesqueiras do Minho

Os pescadores anseiam por voltar a armar as redes e apelam ao Governo que abra uma exceção e permita também a utilização das pesqueiras também do lado português.

Os proprietários de pesqueiras do rio Minho estão a apelar ao Governo português, que levante as restrições de pesca em Monção e Melgaço.

Este ano, a tradicional captura de lampreia em estruturas de pedra na margem do rio está proibida, no âmbito das orientações emanadas pelo Governo de Portugal para o confinamento, que apenas permitem a pesca profissional. As pesqueiras, enquadram-se na pesca lúdica e desportiva. Os pescadores portugueses não se conformam porque, do lado de Espanha, a pesca é livre, fruto de orientações diferentes para a pandemia por parte da Junta da Galiza. "Tenho dado voltas à cabeça e será que metade do rio está contaminado?", questiona indignado Venâncio Fernandes, porta-voz da associação de pescadores A Batela, que na manhã desta quinta-feira realizou um protesto junto às pesqueiras em Alvaredo, Melgaço. A manifestação de caráter pacífico, e em que participaram algumas dezenas de proprietários de pesqueiras, serviu para chamar a atenção do Governo para a especificidade daquele tipo de pesca, que funciona como um prolongamento das lides agrícolas. "Porque é que não nos deixam vir pescar? Se eu tenho acesso a ir para o campo, para uma horta, para as vinhas, porque é que não posso vir à pesqueira? Se olho para o lado espanhol e vejo as pesqueiras armadas (com redes). Sendo o rio internacional, porque é que nós portugueses não podemos vir às pesqueiras?", continuou a interrogar Venâncio Fernandes.

Aquela é uma pesca ancestral e solitária, em que o pescador coloca uma rede em seculares muros altos de pedra, construídos ao longo da margem, e regressa horas depois ou no dia seguinte para retirar o peixe.

Este ano foram emitidas 151 licenças para a margem portuguesa, de acordo com informação do Comandante da Capitania do Porto de Caminha, Pedro Santos Jorge, e a época termina a 16 de maio (às 08h00). Os pescadores anseiam por voltar a armar as redes e apelam ao Governo que abra uma exceção e permita também a utilização das pesqueiras também do lado português.

"Absoluta solidariedade com os pescadores, porque temos a noção de que esta não é uma pesca lúdica. Não podemos confundir o que acontece aqui, com o que acontece nas margens do rio Douro ou do rio Tejo, onde porventura pessoas se podem aglomerar para fazer pesca desportiva ou lúdica", declarou o autarca de Melgaço, Manoel Batista, que se juntou ao protesto esta manhã. "Aqui estamos a falar de uma pesca milenar, de subsistência e que prolonga os trabalhos do campo", acrescentou.

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