"Quebra na ordem dos 20%." Associação Têxtil pede mais apoios para empresas em crise

O setor, que emprega mais de 130 mil pessoas e que exporta mais de cinco mil milhões de euros ao ano, pede ao Governo apoios discriminatórios.

Um setor a duas velocidades. O ramo têxtil-lar vive dias de crescimento, com um aumento da produção na casa dos 30%, nos primeiros quatro meses do ano, recuperando os níveis pré-pandemia. Em sentido contrário ruma o vestuário, que continua mergulhado na crise provocada pela Covid-19, com quebras de 20%.

Os dois pratos da balança vão estar, esta terça-feira, em discussão num simpósio organizado pela Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. O setor, que emprega mais de 130 mil pessoas e que exporta mais de cinco mil milhões de euros ao ano, pede ao Governo apoios discriminatórios.

Mário Jorge Machado, presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, pede que sejam levadas em linha de conta as empresas que mais estão a sofrer.

"Na área, aquilo que é vestuário em tecido ainda está com uma quebra muito importante, nestes primeiros quatro meses exportou menos 100 milhões de euros do que devia ter exportado. Estamos com uma quebra na ordem dos 20%, daí a importância de haver ajudas para as empresas que estão em setores que ainda não recuperaram porque o vestuário de tecido, mais formal, é aquele que ainda comprámos menos. Continuámos ainda a não ir a eventos sociais e, além disso, uma grande parte da população continua a trabalhar ainda em casa", explicou à TSF Mário Jorge Machado.

O presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal considera que os apoios seriam mais eficazes se houvesse uma discriminação positiva, dando como exemplo as moratórias.

"Os apoios têm sido, de alguma forma, genéricos e transversais a toda a economia. Estou a falar da situação das moratórias e da utilização dos lay-offs simplificados que, como temos repetido, foram excelentes medidas que ajudaram a salvar muitos milhares de postos de trabalho, mas temos de perceber que, se algumas empresas já não precisam de ajuda e estão bem e recomendam-se, há ainda empresas que vão continuar a precisar de ajuda, daí a situação do processo de reduzir ou de eliminar as prorrogação das moratórias ter de ser gerido com muita atenção. Não se pode tomar medidas transversais que venham a afetar empresas que ainda precisam de alguma ajuda para atravessarem esta fase, que foi muito complicada", afirmou o presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal.

Mário Jorge Machado sublinha a flexibilidade e a capacidade de resiliência do setor, que soube adaptar-se às novas necessidades. No entanto, no último ano, marcado pela pandemia, a indústria têxtil nacional também teve de navegar ao sabor das mudanças no mercado internacional.

"O setor tem estado a recuperar em alguns mercados tradicionais, mas há outros mercados que, sendo importantes, estão a ganhar nova relevância. França, por exemplo, é um mercado que ganhou bastante relevância e os EUA também. Em contrapartida, o mercado espanhol, que era o nosso grande mercado, ainda está em défice em termos de crescimento", revelou Mário Jorge Machado.

Na TSF, o ministro da Economia adianta a mensagem que vai deixar aos empresários no simpósio da indústria têxtil.

"Por um lado, uma mensagem de reconhecimento pelo esforço extraordinário que o setor fez neste último ano e meio. Foi um dos setores mais afetados pela pandemia, com uma quebra de exportações na ordem dos 11% em 2020, mas também muito disperso consoante os segmentos da indústria têxtil. Em segundo lugar, uma mensagem de confiança. Aquilo que hoje em dia verificamos é que o aumento da resiliência e da autonomia estratégica da Europa posiciona muito bem a indústria têxtil e de vestuário", considerou Pedro Siza Vieira.

Quanto às moratórias, Pedro Siza Vieira garante que está para breve o anúncio de novidades.

"Os apoios às empresas são auxílios de Estado que têm de ser aprovados pela Comissão Europeia e estamos precisamente numa discussão conjunta, de todos os membros do Governo, com a Comissão a este propósito. E, por outro lado também, com os supervisores bancários, designadamente o Banco de Portugal. Aquilo que queremos assegurar é que os apoios que dirigimos às empresas para o final das moratórias, naqueles setores mais afetados, tenham, por um lado, aprovação da Comissão Europeia, senão não podemos concedê-los, e acabam por não serem considerados pelos supervisores bancários, designadamente pelo Banco Central Europeu, como constituindo uma situação de incumprimento por parte das empresas que as coloque em dificuldades", ressalvou o ministro da Economia.

Quanto ao pedido de medidas diferenciadas, feito pelo presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, Pedro Siza Vieira considera que é razoável.

"O setor dos têxteis-lar teve um ano muito forte em 2020 e, portanto, continua este ano com essa tendência. As pessoas estiveram mais em casa, saíram menos e, portanto, também compraram menos peças de vestuário. Em particular vestuário de tecido. Aquilo que temos dito é que os apoios à retoma terão de ser apoios mais diferenciados em função dos segmentos da indústria que estão em causa", acrescentou o Siza Vieira.

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