Recordes no preço da eletricidade podem não chegar à carteira dos consumidores

Presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis explica que a chuva deve provocar um aumento da produção de energia hídrica e eólica, reduzindo os preços da energia.

O preço da eletricidade bateu esta segunda-feira um recorde no mercado ibérico e prepara-se para, já amanhã, fazê-lo de novo ao atingir os 130,53 euros por Megawatt-hora (MWh). A subida deve marcar o oitavo recorde deste mês, mas o presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) explica que "não é inevitável" que a escalada dos preços tenha reflexo na fatura dos consumidores portugueses.

Ouvido pela TSF, Pedro Amaral Jorge explica que o mercado "está a atravessar um pico e é preciso ver a média anual", até porque esta pode ser uma tendência de preços "a três meses ou dois". Em apenas 24 horas, o preço da luz aumentou seis euros por MWh no mercado ibérico.

Quando chegar, a chuva deve trazer maior produção de energia pelas vias hídrica e eólica - sem esquecer a componente solar que "também produz, mesmo que não haja céu azul, através da radiação difusa" -, e uma maior "incorporação de eletricidade no mercado", o que leva "obrigatoriamente a reduzir os preços da eletricidade graças à incorporação da renovável na formação do preço".

Apesar de ser, assim, possível atenuar a média anual dos preços da energia, Pedro Amaral Jorge defende que Portugal e a Europa devem acelerar a incorporação de energias renováveis para combater as oscilações drásticas no mercado ibérico que acontecem quando aumenta a procura de eletricidade, como é o caso do período em que as férias acabam, o que acaba por criar um desequilíbrio face à oferta.

"Na formação do preço do mercado ibérico temos três componentes essenciais e que vão fechar o preço em alta: o preço do gás natural, o preço das emissões do CO2 - que estão acima dos 55 euros por tonelada - e falta muita renovável na formação do preço, o que está a fazer com que os preços estejam a fechar em valores muito altos, acima dos 100 euros por MWh", explica.

Uma das soluções defendidas pela APREN é a de "ter sempre muita mais potência renovável instalada, porque não incorpora o preço do combustível", e assim "tem custos variáveis e zero e reduz o preço médio".

Em Espanha, a escalada dos preços da eletricidade já arrastou a taxa de inflação para os 3,3% neste mês, um máximo da última década.

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