Regresso às feiras. "As pessoas estão com fome de mercado"

O Mercado de Estremoz voltou a levar o campo à cidade esta manhã, em pleno centro do Rossio Marquês de Pombal. Venderam-se aves, enchidos, queijos e hortaliças ao lado das bancas improvisadas que davam corpo à Feira de Antiguidades e Velharias. Quatro meses depois do confinamento, a cidade alentejana procurou desconfinar em segurança e nem a chuva afastou os clientes.

Enquanto o cacarejar dos galos se voltava a fazer ouvir em pleno centro de Estremoz, o vendedor Hugo Lopes de aves lançava um olhar otimista sobre o futuro depois de quatro meses de confinamento.

"As pessoas ainda estão com algum receio, mas já começaram a aparecer. Acredito que isto vai melhorar em breve", admitia, enquanto se congratulava com a procura da clientela logo neste primeiro dia. "As pessoas gostam de ter galinhas, pintos, galos e perus em casa para os criarem à sua maneira e terem a certeza do que consomem", sublinhava um dos mais de 60 comerciantes que ocupavam o recinto da feira, onde o uso de máscara era obrigatório.

Para lá dos animais de capoeira o mercado encheu-se de produtos regionais alentejanos. Entre queijos, enchidos, doçaria, hortaliças, frutas, flores e cortiça. "Já tinha tantas saudades de vir. Adoro este mercado. Já comprei legumes e agora vou beber um cafezinho com esta amiga. É tão bom", desabafava Júlia Reis, quase indiferente à chuva que a meio da manhã começou a cair.

"Nem quero saber da chuva. Isto é um sinal de liberdade que me fazia muita falta. Ter estado em casa todo este tempo é que me fez mal à cabeça", justificava, enquanto Henrique Figueiredo, responsável pela ´Horta do ti Henrique´, considerava que "as pessoas estão com fome de mercado", pelo que admitia que a boa adesão dos clientes até era expectável. "Mesmo que se molhem não faz mal, querem é estar aqui", acrescentava.

O espaço do mercado é partilhado pelo regresso da Feira de Velharias e Antiguidades. José Manuel viajou de Alcobaça, com peças em bronze, e dizia que os clientes vão aparecendo na sua banca, mas "o negócio ainda não está famoso", enquanto a vizinha Teresa Foito, que de deslocou a partir de Évora, assumia que a animação que encontrou entre as pessoas "já justificou o regresso da feira".

Os vendedores das velharias sabem que a vida lhes irá correr melhor quando as fronteiras abrirem e os espanhóis regressarem em força. "São os nossos melhores clientes. Num dia normal já tinha vendido mais 70 ou 80% a espanhóis", revelava Maria Paiva, admitindo que não vai desanimar e que conta "regressar ao mercado todos os sábados".

A vereadora Márcia Oliveira assumia que esta segunda fase do desconfinamento "veio funcionar como um balão de oxigénio" para os comerciantes que tinham os seus negócios em suspenso, recordando que durante o confinamento o mercado estremocense funcionou apenas a "meio gás" com venda de produtos alimentares.

"Hoje retomamos o mercado no seu formato habitual e dinâmico", acrescentava a autarca, aplaudindo a adesão dos clientes.

"Gostamos de ver que as pessoas vieram e estão a cumprir a sua parte, garantindo todas as medidas de segurança", resumia Márcia Oliveira.

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