Despedimentos e cortes salariais no horizonte da TAP. Sindicato fala em situação dramática

Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil considera que as medidas do plano de reestruturação da TAP são uma tragédia para os trabalhadores. Plano divulgado pela empresa prevê redução de 25% da massa salarial e redução da frota.

A TAP vai propor aos trabalhadores um pacote de medidas voluntárias, que incluirá rescisões por mútuo acordo, licenças não remuneradas de longo prazo e trabalho a tempo parcial, e admite cortes salariais transversais e despedimentos.

Numa comunicação aos trabalhadores, a que a Lusa teve acesso, a administração refere que "quanto maior for a adesão, menor será a necessidade de outras medidas a decidir futuramente".

Além de medidas voluntárias que serão apresentadas "nas próximas semanas", o Conselho de Administração adianta que "estão colocados para discussão cenários como a suspensão do pagamento de alguns complementos remuneratórios, cortes salariais transversais, garantindo um valor mínimo que assegure a proteção aos salários mais baixos, e ainda a possibilidade de adequar o número de trabalhadores a uma operação que nos próximos anos será reduzida em 30% a 50%, retrocedendo assim a valores vividos há mais de uma década".

Ao mesmo tempo, refere, "tendo consciência de que a quebra de receitas ao longo dos próximos anos será colossal e estimada em vários milhares de milhões de euros", a TAP implementou "uma vigorosa redução de custos" junto de fornecedores e prestadores de serviços, "que permitirão à TAP ter benefícios financeiros de cerca de 1,5 mil milhões de euros até 2025".

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil considera que o novo plano de reestruturação da TAP é uma tragédia para quem trabalha na empresa.

Em comunicado aos associados, a que a Lusa teve acesso, a direção do Sindicato disse que saiu da reunião em que foram apresentadas as medidas laborais que integram o plano de reestruturação "com grande preocupação", por serem "absolutamente dramáticas", nomeadamente a "imposição de uma redução de 25% da massa salarial, medida transversal e imposta a todo o grupo TAP".

Tendo em conta que a TAP pagava cerca de 750 milhões de euros em salários aos cerca de 10.600 trabalhadores, trata-se de uma redução em cerca de 187,5 milhões de euros.

No caso dos tripulantes, está previsto o "despedimento de 750 tripulantes efetivos, para além dos mais de 1.000 contratos a termo denunciados, o que perfaz uma extinção permanente de mais de 1800 postos de trabalho", segundo o SNPVAC.

Entrevistado pela jornalista Sara de Melo Rocha, o presidente do sindicato, Henrique Louro Martins, adianta que a situação está a preocupar bastante os trabalhadores que se sentem desamparados com esta notícia.

Henrique Louro Martins apela por isso a um papel mais interventivo do Estado.

Também o Sindicato Independente de Pilotos de Linhas Aéreas (SIPLA) refere que o plano apresentado pelo presidente executivo interino, Ramiro Sequeira, contempla "uma redução da retribuição em 25%, sendo que apesar da insistência da direção, nunca foi esclarecida de que forma será a sua aplicação".

"Relativamente ao redimensionamento da frota, em 2021 será de 88 aeronaves [face aos atuais 105], estando previsto um ajuste até um máximo de 101 aeronaves até 2025", acrescenta na nota aos seus associados.

Já o Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (SITEMA) recusou transmitir aos associados "os números e cenários apresentados" na reunião: "São números que não acreditamos, e que não batem certo, mas que acima de tudo não podemos aceitar".

O plano de reestruturação da TAP tem que ser apresentado à Comissão Europeia até 10 de dezembro, sendo uma exigência da Comissão Europeia pela concessão de um empréstimo do Estado de até 1.200 milhões de euros, para fazer face às dificuldades da companhia, decorrentes do impacto da pandemia de Covid-19 no setor da aviação.

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