Restrições no consumo individual de energia? "Duvido que haja coragem política"

Coordenador do Observatório Ibérico da Energia antecipa à TSF que seria difícil aprovar uma medida de racionamento.

Numa altura em que o preço da energia está a aumentar surgem apelos para que as populações europeias reduzam os consumos. Depois de na segunda-feira três das maiores empresas de energia francesas terem apelado à redução do consumo de eletricidade, gás e combustível, especialmente no verão, António Eloy, coordenador do Observatório Ibérico da Energia, disse que os Estados apenas podem fazer apelos. Até porque a ideia de limitar consumos seria difícil.

"Não me parece que se possa passar para restrições no consumo individual de eletricidade, ainda por cima quando o consumo individual não é o mais significativo. O mais significativo no consumo de eletricidade é o industrial e, portanto, será nas indústrias que se terá de fazer restrições. No consumo individual, o que se pode fazer e o que deve ser feito é reduzir os chamados consumos supérfluos como, por exemplo, desligar a televisão em vez de a manter em stand by e não deixar as cargas dos telemóveis quando não é necessário", explicou à TSF António Eloy.

O coordenador antecipa que seria difícil aprovar uma medida de racionamento, uma vez que os parlamentos nem conseguem aprovar medidas para proteger o ambiente.

"Duvido que haja um parlamento com coragem política para impor uma medida destas, ainda por cima num tempo em que vivemos imersos numa bolha que é esta ideia da guerra contínua que não vai que não vai ter fim. Portanto temos de nos insurgir contra essas ideias feitas que se vão gerando e culpabilizam o cidadão de tudo", considera o coordenador do Observatório Ibérico da Energia.

E mesmo que o racionamento fosse uma medida aprovada nos parlamentos europeus, a fiscalização seria impraticável.

"Não estou a ver é como é que o Governo depois vai fiscalizar se eu consumo duas horas de televisão ou uma hora e meia e estamos a falar de uma coisa que consome uma quantidade reduzidíssima de eletricidade, mas é muito complicado. É possível fazer alguma coisa, reduzir já a dependência do gás russo. Agora isso passa por medidas de eficiência energética, promoção e desenvolvimento de energias alternativas e renováveis", acrescentou António Eloy.

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