Retirar vistos gold a Lisboa e Porto é alterar "as regras a meio do jogo"

Para a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, a proposta apresentada pelo PS no Parlamento é contraproducente e pode afastar investidores que ajudaram a recuperar o imobiliário e a construção em Portugal.

A Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) considera "errado" alterar as normas relativas aos vistos gold, conforme sugeriu o Partido Socialista no Parlamento. O PS entende que deve ser feita uma limitação aos vistos nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto se não houver um investimento estrangeiro acompanhado da criação de postos de trabalho.

Mas Luís Lima não concorda. Ouvido pela TSF, o representante da APEMIP salienta que não é justa esta mudança, depois de os investidores terem sido informados do contrário, e questiona: "Como é que agora vou dizer ao investidor que agora não pode investir em Lisboa e no Porto, mas que pode investir em Vila Real de Santo António e em Bragança? Quem é que diz que dentro de três ou quatro anos não acabarão lá também?"

Luís Lima acredita que seja benéfico o alargamento dos vistos gold às áreas do interior. No entanto, desaconselha a retirada às duas maiores cidades do país. O programa de vistos gold "ajudou muito a chegar ao investimento estrangeiro" e "foi o investimento estrangeiro que ajudou à recuperação do imobiliário e da construção em Portugal", sustenta.

"Há uma quebra de confiança. Há uma alteração das regras do jogo a meio do jogo", remata o responsável da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal.

Já o presidente da Câmara Municipal de Boticas aplaude a ideia dos socialistas, já que considera ser importante criar postos de trabalho para fixar pessoas nas regiões do interior. "Sabemos que há investimentos privados, mas há iniciativas públicas do Governo central. Dou como exemplo a linha Saúde 24. Por que é que não é instalada num dos concelhos do interior? São cerca de 200 enfermeiros a trabalhar nesse organismo, e criaria dinâmicas económicas, não só no concelho onde seria sediado como nos concelhos em redor", sugere Fernando Queiroga.

O autarca vê a iniciativa com bons olhos, mas lembra que esta ainda é uma proposta e que ainda não se sabe se e como será concretizada. "Esta é uma boa medida, e pode vir a resolver alguns dos problemas do interior..."

Na ótica de Fernando Queiroga, é ainda possível fazer mais para reforçar a atratividade do investimento no interior. "Independentemente dos investimentos - e bons investimentos - que tem havido no interior e da boa qualidade de vida que existe, as pessoas só se conseguem fixar nestes territórios se houver a criação de emprego", concretiza.

* Atualizado às 11h12

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de