Revisão da lei do CES e acolhimento de novos setores são prioridades de Francisco Assis

Francisco Assis volta a ser eleito presidente do Conselho Económico e Social esta sexta-feira. Além de querer acolher novos setores, Francisco Assis pede prudência na tomada de decisões que possam contribuir para uma "espiral inflacionista", sendo, por isso, fundamental dar uma atenção especial aos grupos mais desfavorecidos.

Com os votos do PS e do PSD, Francisco Assis vai voltar a ser eleito esta sexta-feira presidente do Conselho Económico e Social (CES). Ouvido pela TSF, Francisco Assis insiste na necessidade de mudar o funcionamento do CES, acolhendo outros setores, como por exemplo, o desporto e associações que estão ligadas ao combate à pobreza.

"O CES está a fazer 30 anos e é altura de promover uma revisão da lei do Conselho Económico e Social, nomeadamente no sentido de garantir a representação no plenário do CES e alguns setores que neste momento não estão lá representados, como as associações que estão ligadas ao combate à pobreza e o mundo do desporto, que são duas áreas importantíssimas que, neste momento, não estão representadas no CES. Por outro lado, temos uma administração consultiva do Estado muito vasta, fragmentada e disseminada por dezenas e dezenas de órgãos consultivos e eu creio que faz algum sentido fazer uma reflexão profunda sobre esse assunto e promover alguma concentração dessa administração consultiva do Estado", explica.

Francisco Assis diz que para haver um aumento dos salários há que resolver primeiro os problemas estruturais da economia portuguesa.

"O problema estrutural do país é um problema de crescimento da economia e um problema de aumento da produtividade e, por isso mesmo, essa é uma das nossas questões centrais", reconhece.

"Temos canalizado muitas das nossas energias para o estudo desse assunto, porque na verdade há aqui uma questão que embora esteja a ser tratada em várias universidade e fundações permanece por resolver, que é: Porque é que depois de tantos anos, com tantos investimentos na educação, na formação profissional, na investigação, no apoio à inovação, na melhoria das infraestruturas, a nossa produtividade não tem evoluído de acordo com as nossas expectativas?", questiona Francisco Assis.

"Sem um aumento da produtividade não há crescimento da economia e sem crescimento da economia não há melhoria estrutural do salário médio em Portugal", acrescenta.

Francisco Assis lembra que a guerra na Ucrânia trouxe uma grande incerteza à economia mundial. O presidente do CES aconselha prudência na tomada de decisões que possam contribuir para o aumento da inflação, mas diz também que é preciso uma atenção especial aos grupos mais desfavorecidos.

"Se é preciso ter o cuidado de não tomar medidas que venham elas próprias criar uma espiral inflacionista, há que ter em consideração que há setores da sociedade mais vulneráveis e para os quais é preciso ter medidas especiais, porque o aumento do preço de alguns bens de consumo básico tem um impacto dramático para as famílias portuguesas mais carenciadas e, aí sim, estou de acordo com a necessidade de ter isso em atenção e de tomar as medidas adequadas. Estão a ser tomadas algumas a nível fiscal e a nível de apoios diretos, mas essa deve ser uma das nossas preocupações", afirma.

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