Sindicatos da TAP acusam Governo de "golpe baixo" e de "violar a Constituição"

SITAVA e SPAC dizem que governo se prepara para acabar com a contratação coletiva.

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos( SITAVA) acusa o Governo de aplicar um "golpe baixo" e "traiçoeiro" aos trabalhadores da TAP. A acusação surge depois de o Governo ter declarado ontem após o conselho de ministros a empresa em "situação económica difícil".

O SITAVA considera que ao tomar esta decisão o governo pode suspender os acordos de empresa.

"Surpreendeu-nos o inusitado da notícia ao fim do dia, quando já não se esperariam medidas daquela ordem", lamenta o secretário-geral do SITAVA. José Sousa adverte para a possibilidade dessa decisão "poder abrir a porta à suspensão da contratação coletiva, toda ou parte dela". " É mais um atentado aos direitos dos trabalhadores que hoje já são mínimos na empresa", adianta.

O sindicato não aceita que sejam esses direitos a causa da situação em que a empresa se encontra.

José Sousa salienta que a TAP já antes da pandemia passava tempos difíceis e lamenta que ao abrigo da Covid-19 e dos problemas causados pela pandemia "estão a querer limpar os abusos e roubos, como é o caso da TAP Manutenção e Engenharia Brasil". Uma situação que "continua a juntar défice e prejuízo às contas da empresa e parece que aí ninguém se preocupa muito". Será que a regulamentação coletiva dos trabalhadores no Brasil também será suspensa ou são só os trabalhadores portugueses que vão pagar os desmandos desta gente que ao longo dos anos enfiou a TAP em becos sem saída, com negócios ruinosos, talvez à procura do El dourado do negócio aéreo?", pergunta José Sousa

Também o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) acusou hoje o Governo de violar a Constituição por ter decidido "unilateralmente" suspender os acordos de empresa da TAP, que considera uma "iniciativa arriscada e socialmente irresponsável".

"Após um simulacro de negociação antes da apresentação do plano de reestruturação do Grupo TAP a Bruxelas, o Governo toma agora uma decisão unilateral, sem consultar os representantes dos trabalhadores, em clara violação da Constituição", afirmou o SPAC, numa comunicação aos associados, sublinhando que o Governo "prefere usar instrumentos de pressão sobre os pilotos do que realizar uma negociação efetiva de boa-fé".

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