Sindicato dos trabalhadores da Altice quer discutir alteração da lei dos despedimentos

Para o sindicalista, a regulamentação do regime dos despedimentos coletivos "permite uma liberdade absoluta aos empregadores de invocarem argumentos para despedir centenas ou milhares de trabalhadores".

O Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Altice pediu esta segunda-feira reuniões urgentes aos grupos parlamentares do PS, PCP, BE, Verdes, PAN e à CGTP e UGT para discutir a necessidade de alterar a lei dos despedimentos coletivos, que considera demasiado permissiva.

"O regime jurídico dos despedimentos coletivos em Portugal é extremamente permissivo e muito menos regulamentado do que noutros países europeus e nós temos algumas ideias para apresentar aos partidos políticos e às centrais sindicais para tornar a lei menos desequilibrada", disse à agência Lusa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Altice (STPT), Jorge Félix.

Para o sindicalista, a regulamentação do regime dos despedimentos coletivos "permite uma liberdade absoluta aos empregadores de invocarem argumentos para despedir centenas ou milhares de trabalhadores", como sucedeu recentemente com a Altice Portugal".

O STPT considera que esta é "uma questão central e atual", devido às consequências sociais que está a ter na vida dos trabalhadores que perdem o emprego e na das respetivas famílias.

"Tal situação torna urgente esta questão de princípio que deverá ser analisada pelas partes interessadas, para a qual o STPT quer dar o seu contributo, analisando esta matéria com os grupos parlamentares de esquerda e com as centrais sindicais", disse Jorge Félix.

Segundo o sindicalista, o STPT optou por não contactar os partidos de direita porque estes "têm assumido sempre posições favoráveis às empresas e não aos trabalhadores".

O STPT tomou esta iniciativa no dia em que se realizou a segunda sessão do julgamento de uma providência cautelar interposta pelo sindicato no tribunal do trabalho de Portalegre.

O tribunal agendou esta segunda sessão para ouvir o presidente da Altice, mas este não compareceu, tendo o advogado da empresa aceitado as alegações do sindicato, que aguarda a sentença do juiz.

O STPT interpôs quatro providências cautelares, em Vila Real, Porto, Lisboa, e Portalegre, para acautelar a situação de quatro trabalhadores da Meo, abrangidos pelo despedimento coletivo do grupo Altice, apesar de estarem em situação de cedência ocasional a outras empresas do grupo.

Jorge Felix explicou à Lusa que "os trabalhadores cedidos não podem ser despedidos, porque são necessários 90 dias, após regresso à empresa mãe, para rescisão de contrato".

Dado que as providências cautelares de Vila Real, Porto, Lisboa não tiveram provimento, o STPT contestou as decisões dos respetivos tribunais, independentemente de avançar posteriormente com o processo de impugnação dos despedimentos.

Segundo Jorge Félix, foi o receio da morosidade da justiça e das dificuldades financeiras que levaram cerca de 200 trabalhadores do grupo Altice a aceitar a rescisão contratual.

O STPT é um dos sindicatos que integra a Frente Sindical da Altice, que tem promovido várias ações de luta e de contestação ao despedimento coletivo que envolve 204 trabalhadores do grupo.

O processo de despedimento coletivo de 246 trabalhadores, iniciado em 30 de junho pela Meo - Serviços de Comunicações e Multimédia, S.A. e pela PT Contact, foi entretanto sendo reduzido, sobretudo devido a rescisões, restando cerca de 40 trabalhadores.

Os trabalhadores têm protestado contra este despedimento, tendo realizado uma greve e várias concentrações e plenários.

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