Siza Vieira descarta mais ajuda pública para a Dielmar

Ministro da Economia diz que a empresa que abriu insolvência já recebeu oito milhões de euros em investimento público e prefere agora trabalhar com credores para salvaguardar postos de trabalho.

O Ministro da Economia diz que o Estado já gastou 8 milhões de euros para tentar salvar a Dielmar, a empresa têxtil de Castelo Branco que agora declarou falência. Siza Vieira garante que tudo foi feito, mas já não é possível salvar a empresa com 300 trabalhadores e o Estado pode mesmo perder o dinheiro.

"Mais de oito milhões de euros públicos já estão a apoiar a empresa. Portanto, não vale a pena meter dinheiro bom, dinheiro fresco em cima de uma empresa que neste momento não tem salvação. É necessário empenharmo-nos no sentido de assegurar novos destinos para estes ativos e sobretudo para os trabalhadores. É nisso que o Governo vai trabalhar", explicou o governante.

O objetivo do Governo é tentar salvar os empregos, mas nem isso, neste momento, é certo. "Neste momento, os trabalhadores têm os contratos em dia. Mantêm os contratos de trabalho. Declarada a insolvência, mantêm esses contratos de trabalho e nós agora precisamos de trabalhar muito depressa com os credores para encontrarmos uma solução.

Em comunicado, a administração da Dielmar diz que a empresa "após ter ultrapassado várias crises durante 56 anos", sucumbiu à pandemia da covid-19, "contaminada por um conjunto de situações que foram letais".

"Esta crise atacou, globalmente, o que de melhor sustentava a sua atividade: o convívio social, os eventos e casamentos, com a elegância, o "glamour" da alfaiataria por medida e a personalização em que nos especializamos, e o trabalho profissional no escritório, que eram a base fundamental do negócio da Dielmar", sublinha a empresa.

No comunicado, a empresa salienta que os últimos 16 meses foram "longos e duros" e que fez "um esforço imenso e solitário" para conseguir sobreviver e manter os atuais cerca de 300 postos de trabalho.

"Por isso, não podemos deixar de dar uma palavra de gratidão os nossos trabalhadores, que estiveram sempre ao lado da empresa e do nosso lado, a lutar diariamente connosco pela sobrevivência da empresa, com um imenso empenho e dedicação", afirma o conselho de administração.

A empresa lamenta a decisão, frisando que tem ainda "maior preocupação" pois sabe "o quanto a desertificação" afeta a região (Castelo Branco), "que se vê a braços com uma nova e forte redução populacional, conforme o demonstram os recentes censos".

"Talvez a insolvência da Dielmar seja o alerta e o farol para que possam repensar com caráter de urgência o interior e apoiar as indústrias que ainda aqui existem e que suportam, há décadas, a fixação das pessoas e a economia e equilíbrio social da região. E que proporcionam, sobretudo, oportunidades de trabalho para as mulheres", sublinha o conselho de administração da empresa.

"A insolvência abrirá novas oportunidades que terão, certamente, a mobilização e apoio do próprio Estado e da autarquia, e poderão proporcionar o ressurgimento da empresa e a manutenção dos seus atuais postos de trabalho", acrescenta.

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