Sobe, sobe, inflação sobe. Um ano de 2021 marcado pela escalada dos preços da energia

O ano de 2021 foi o ano da alta velocidade nas comunicações móveis com o 5G em Portugal, mas com uma TAP que não consegue levantar voo dos balanços negativos. Neste mundo das empresas, dos bancos, do dinheiro e do trabalho houve um indicador que se destacou.

A canção de protesto norte-americana, "Inflation Blues" escrita por Louis Jordan em 1947, no pós-guerra, e nos oitenta recuperada por B.B. King pode ser o mote para este ano de 2021.

A letra da canção denuncia que já nem um cêntimo se consegue poupar e o dinheiro vai todo para o comer e para pagar a renda. É isso que faz a inflação que nesta altura se comporta como um balão que sobe, mas os Bancos Centrais e os Governos europeus dizem ser de forma controlada.

Mesmo assim a zona Euro teve em novembro uma taxa de inflação de 4,9%, como há muito não se via.

É assim que um indicador quase esquecido no tempo das primeiras canções de protesto voltou às primeiras páginas embora com os Bancos Centrais e os Governos Europeus a desvalorizarem um problema que leva à subida dos preços.

Mário Centeno, o Governador do Banco de Portugal disse que "a inflação permanece, ainda, um fenómeno temporário" e Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu pensava que "os dados da inflação que vemos a subir são de uma natureza temporária".

Já o ministro das Finanças, João Leão, afastava Portugal de um cenário de subida da inflação e a Diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Guerguieva, defendia que "a estratégia do Banco Central Europeu provou ter ferramentas para acomodar o perigo de uma inflação em alta".

Estamos perante um problema que os responsáveis dizem ser temporário, mas que já leva com meses seguidos de escalada levando a pensar que é preciso mudar a definição daquilo que é temporário.

Mas estas posições oficiais para acalmar os mercados são contrariadas pelos oráculos da Economia. O banqueiro António Horta Osório defende que "os riscos que os Bancos Centrais aqui correm é se a inflação prova não ser temporária e se as taxas de juro subirem agressivamente isso terá um impacto muito grande nas economias, sobretudo naquelas mais débeis porque têm mais dívida".

Os especialistas têm revelado preocupação com a subida da inflação resultante sobretudo da subida do preço da energia, incluindo os combustíveis como o gasóleo e a gasolina sendo que só nas licenças de carbono a portuguesa GALP pagou mais do dobro daquilo que desembolsou o ano passado.

Este foi o ano de um registo recorde no Mercado Europeu de Licenças de Emissões com leilões a atingirem os 65 euros por tonelada de Carbono. É com este cenário em fundo que a Galp, uma empresa de 6 mil milhões de euros decide mudar o portfólio de produção: A Galp anunciou este ano que vai descarbonizar de forma prudente até ao final da década.

O negócio dos combustíveis fosseis a virar-se para o baixo carbono e o investimento vai ser nas baterias de lítio e no hidrogénio verde, anuncia o novo presidente da Galp, Andy Brown, que assumiu este ano o controlo da empresa.

Outra energética, a EDP também nomeou um novo presidente da Comissão Executiva; Miguel Stilwell de Andrade coloca toda a estratégia de investimento nas renováveis e a EDP quer ser neutra em carbono até 2030.

A EDP viu ainda este ano a abertura de uma investigação da Autoridade Tributária (AT) pela venda de seis Barragens no Douro aos Franceses da ENGIE, um negócio que pode não ter pago os impostos devidos e por isso a Autoridade Tributária dirigida por Helena Borges está a investigar.

Uma investigação da AT que dura há 9 meses a um negócio de mais de 2 mil milhões de euros que pode não ter pago 100 milhões em imposto de selo.

Do lado das polémicas o ano fica também marcado pela Comissão Parlamentar de Inquérito às perdas do Novo Banco onde se destacou a audição ao empresário e na altura presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. Perante os deputados ele questionava "como é que é possível eu ser o segundo (maior devedor). Quer dizer foi Luís Filipe Vieira que mandou o banco abaixo".

A par dos grandes devedores ficámos a saber este ano que o Novo Banco presidido por António Ramalho aprovou atribuir prémios de gestão de quase dois milhões de euros. "Esta é uma polémica perdida. Não há ninguém lá em casa que me esteja a ouvir que vá concordar comigo", disse António Ramalho em defesa dos prémios.

Em 2021 continuam os fossos. Os trabalhadores ganham dez vezes menos do que os gestores das empresas apesar de ter sido anunciado um aumento de 40 euros no salário mínimo, para valer no próximo ano.

A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, anunciou que o ordenado mínimo passa para 705 euros mensais, em 2022, num país onde o salário médio é de 1300 euros.

No primeiro semestre do ano foi a presidência portuguesa da União Europeia que teve especial atenção para a escassez de semicondutores nas fábricas europeias. "Esses semicondutores são essencialmente fabricados na Ásia, incorporando tecnologia que nós aqui (na Europa) não dominamos", afirmou o ministro da economia Pedro Siza Vieira, que anunciou um levantamento europeu das falhas destes componentes.

Já o ministro Pedro Nuno Santos, das Infraestruturas, continua nos braços com uma TAP deficitária. A Europa quer que a companhia dê contrapartidas a favor da concorrência. "Não tenhamos ilusões sobre a necessidade de se abdicar de slots no aeroporto de Lisboa", acredita o ministro.

Este foi o ano em que o Governo fez um aumento de capital na TAP. Uma injeção de 462 milhões de euros e o Estado passa a deter 92% do capital da empresa.

O Estado que recebeu 567 Milhões de euros dos operadores de telecomunicações devido ao leilão das frequências para a rede 5G.

Agora, a Autoridade Nacional das Comunicações (ANACOM), só espera que os consumidores sejam beneficiados. "Nós precisamos em Portugal de reduzir os preços das comunicações. Não faz sentido que os portugueses tenham que pagar pacotes com canais de televisão que não necessitam ou tenham que pagar telefone fixo que não utilizam", argumenta o presidente da ANACOM, João Cadete de Matos.

O leilão do 5G em Portugal foi realizado ao longo de duzentos dias.

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