TAP. "Acham que é um projeto de reestruturação, ou é um projeto de liquidação da companhia?"

Os sindicatos de trabalhadores do setor da aviação acreditam que o plano de reestruturação da TAP é a antevisão da liquidação da companhia, e frisam que o plano prevê o despedimento de 500 pilotos, 750 tripulantes de cabine e 750 trabalhadores de terra, com uma redução em 25% da massa salarial do grupo.

Henrique Martins, presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, considera que não há motivos para avançar com despedimentos e reduzir salários na TAP, porque teme que o Governo esteja a pensar numa venda da TAP a médio prazo.

"A TAP terá aviões. O crescimento está aí, e os despedimentos não têm qualquer razão de ser, a não ser o objetivo que está bem à vista, que é emagrecer a massa salarial." Para o representante sindical, "não é com despedimentos e com cortes salariais que a TAP poderá sair vencedora deste processo".

Questionado por Manuel Acácio, no Fórum TSF, sobre a possibilidade de o Executivo avançar com uma venda após a reestruturação, Henrique Martins responde afirmativamente: "Tudo aponta para isso; não vejo aqui outro caminho que o próprio Estado esteja a conduzir." O presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil considera, no entanto, que "a empresa devia continuar a ser do Estado".

Os sindicatos dizem que o plano prevê o despedimento de 500 pilotos, 750 tripulantes de cabine e 750 trabalhadores de terra, com uma redução em 25% da massa salarial do grupo e um decréscimo do número de aviões da frota. José Sousa, do SITAVA, não considera possível "a TAP resistir a uma coisa destas".

"A TAP tem, neste momento, pouco mais de 7500 trabalhadores, porque já saíram 1500, e, até ao fim de março do próximo ano, vão sair mais uns quantos", contabiliza o presidente do SITAVA. "Se tirarem mais dois mil, é 40% da força de trabalho que é eliminada neste projeto de reestruturação."

José Sousa acredita, por isso, que a reestruturação é a antecâmara da liquidação da TAP: "Acham que é um projeto de reestruturação assim, ou é de facto um projeto de liquidação da companhia?"

Também André Teives, porta-voz da Plataforma de Sindicatos de Trabalhadores de Terra da TAP, receia pelo futuro da TAP, argumentando mesmo que o plano vai matar a empresa. André Teives reafirma que, "se insistissem neste formato de resgate e reestruturação, iríamos ter uma mini Troika dentro da TAP".

"Nós alertámos logo: este formato é errado. Não tem nada a ver com a pandemia, portanto o Estado português, a exemplo de todos os outros Estados na Europa, que para este assunto é o que importa, tem de intervencionar a sua companhia aérea usando todos os mecanismos que tem ao seu dispor no âmbito da pandemia."

O porta-voz da Plataforma de Sindicatos de Trabalhadores de Terra da TAP analisa que o Governo, ao remeter a análise do plano de reestruturação ao Parlamento, está a colocar a responsabilidade nos outros para que decidam sobre erros a cometer. "Quem liderou este processo desde o início não o liderou bem, e agora estão a tentar passar para outros o ónus dos erros que o Governo cometeu", sustenta.

"Intervencionarem a TAP neste formato... Não perguntaram nada a ninguém. Não perguntaram, nem aos sindicatos, nem aos partidos políticos, nem ao Parlamento. Não perguntaram nada a ninguém. Conduzem o processo todo até ao fim, e depois o que resulta da sua própria negligência entregamos aos outros para os outros decidirem."

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