Teletrabalho atinge 20% dos empregados do planeta

Em Portugal eram entre 5 e 10% antes da crise. Organização Internacional do Trabalho pede mais regulamentação e proteção para quem trabalha a partir de casa.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que nos primeiros meses da pandemia uma em cada cinco pessoas estava em teletrabalho e admite que "os dados para todo o ano de 2020, uma vez disponíveis, devem mostrar um aumento substancial em relação ao ano anterior".

A OIT sublinha que antes da crise já havia cerca de 260 milhões de pessoas a trabalhar em casa em todo o mundo, representando 7,9% do emprego global, e que desses, 56% (147 milhões) eram mulheres. Portugal tinha, antes da pandemia, 5 a 10% da força laboral em teletrabalho.

A organização explica que este grupo inclui pessoas que trabalham à distância numa base contínua, e um vasto número de pessoas que estão envolvidas na produção de bens que não podem ser automatizados, tais como bordados, artesanato ou montagem eletrónica".

Uma terceira categoria, lê-se no comunicado, "inclui trabalhadores de plataformas digitais a prestar serviços, tais como processamento de reclamações de seguros, edição de texto, ou anotação de dados para a formação de sistemas de inteligência artificial".

O crescimento previsível do fenómeno leva a OIT a renovar a "urgência" de criar mais proteção para quem trabalha a partir de casa.

A organização garante que mesmo antes da pandemia, "cerca de 260 milhões de pessoas em todo o mundo" trabalhavam à distância, e que esses cidadãos precisam de maior proteção.

A OIT revela que nos "países de baixo e médio rendimento quase todas as pessoas que trabalham a partir de casa (90 por cento) fazem-no de forma informal, com "condições de trabalho piores do que aquelas que trabalham fora de casa, mesmo nas profissões com maiores qualificações".

"As pessoas que trabalham em casa ganham em média menos 13 por cento no Reino Unido; 22 por cento menos nos Estados Unidos da América; 25 por cento menos na África do Sul e cerca de 50 por cento menos na Argentina, Índia e México", lê-se no comunicado.

A OIT realça que "as pessoas que trabalham no domicílio também enfrentam maiores riscos de segurança e saúde e têm menos acesso à formação do que as outras pessoas, o que pode afetar as suas perspetivas de carreira".

Admitindo que "muitos países em todo o mundo têm legislação, por vezes complementada por acordos coletivos que abordam vários défices de trabalho digno associados aos trabalhos realizados a partir de casa", mas alerta que "apenas 10 Estados-membros da OIT ratificaram a Convenção que promove a igualdade de tratamento entre o trabalho no domicílio e outras formas de trabalho".

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

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