Teletrabalho não enfraqueceu atividade dos call centers e é tendência "para ficar"

"Num curtíssimo espaço de tempo, 90% das operações foram para casa", mas a atividade não parou, garante a Associação Portuguesa dos Contact Center, que não deteta uma desaceleração no setor.

A Associação Portuguesa dos Contact Center (APCC) acredita que em breve o mercado vai regressar aos valores antes da pandemia, mas o teletrabalho vai ser uma realidade cada vez mais presente. A associação que representa 92 empresas de call center organiza esta terça-feira a sua conferência anual.

Pedro Miranda, presidente da APCC, explica que este foi um setor que ficou em teletrabalho de um momento para o outro. "De repente - e literalmente foi o que aconteceu -, num curtíssimo espaço de tempo, 90% das operações foram para casa de cada uma das pessoas. Obviamente nem todas as pessoas tinham as condições idílicas, mas na generalidade correu bastante bem, e a experiência revelou-se, ao longo do tempo, bastante benéfica, não deixou de ser um bom acelerador de uma tendência que eu acho que veio para ficar ."

"Nunca se tinha assistido a tanto teletrabalho neste setor", complementa Pedro Miranda.

Na conferência desta terça-feira, vai ser apresentado um estudo sobre os call centers em Portugal. Estima-se que o setor empregue 50 mil pessoas, muitas das quais estrangeiras.

Pedro Miranda diz a pandemia não travou a atratividade do setor. "Nos últimos anos, como setor exportador, prestámos serviços a outros países, não só através de pessoas portuguesas que sabem outras línguas, mas também pessoas que vêm trabalhar para Portugal, exclusivamente para trabalhar connosco, ou complementando estudos com trabalho", argumenta o presidente da APCC.

"Tem havido uma continuada procura, de acordo com as informações que tenho dos nossos associados mais vocacionados para esse tipo de prestação de serviços", garante Pedro Miranda.

Apesar do crescimento, a associação de contact centers defende uma maior descentralização dos serviços em Portugal. "É o lado menos bom que começa a sentir-se", defende, sobre a localização quase hegemónica das grandes cidades. Na perspetiva de Pedro Miranda, "deve haver maior trabalho para incentivar essas pessoas a tomarem decisões de ir para outras regiões que não Lisboa e Porto". Um trabalho que depende da associação, mas também de "organismos do Estado", determinantes para "influenciar a localizar os seus centros " noutras regiões.

O congresso anual da Associação Portuguesa dos Contact Center decorre entre esta terça e quarta-feira, em ambiente virtual.

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