Todos a ganhar dinheiro a influenciar? Startup quer acabar com 'ditadura dos influencers'

E se as marcas lhe pagassem de cada vez que recomenda alguma coisa a um amigo, tal como se fosse um 'influencer'? A startup britânica LetsBab veio até à Web Summit para provar que é possível.

Quantas vezes ao dia fazemos sugestões a quem está à nossa volta? A familiares, a amigos, a colegas de trabalho. Falamos-lhe de um livro que lemos, de um restaurante onde comemos ou de uma peça de roupa que foi uma pechincha. Já imaginou se ganhasse um euro por cada vez que recomenda alguma coisa a alguém? E se fosse bem mais do que um euro? Há uma startup britânica que se propõe a tornar esta ideia numa realidade.

Chama-se LetsBab . O nome vem do inglês "babble", que significa "tagarelar" (ou seja, "Vamos Tagarelar"), que, no fundo, é o que fazemos diariamente, quando contamos aos outros o que fazemos, onde vamos, o que compramos - e os incentivamos a fazer o mesmo.

Bonnie Takhar, a mente por trás desta startup, trabalhava há anos na indústria da Moda quando decidiu largar tudo e criar uma forma disruptiva de fazer compras na internet.

O conceito passa por um "centro comercial digital", onde os utilizadores da aplicação da LetsBab escolhem artigos que acham que os seus amigos ou familiares gostariam e partilham-nos com eles através das redes sociais. Se os amigos ou familiares acabarem a comprar o artigo depois da recomendação, o utilizador ganha dinheiro com isso - mais precisamente, 5% do valor da venda.

"O que fazer com o dinheiro que ganhou é uma decisão do utilizador. Pode ficar com ele [é transferido para a sua conta bancária ou de Paypal], pode doá-lo a uma instituição ou até dividi-lo com o amigo que comprou o artigo sugerido", explica Bonnie.

Além da comissão ganha pelos utilizadores com cada venda, mas também a LetsBab arrecada uma parte do preço cobrado - e a marca fica, naturalmente, com o resto. Bonnie Takhar afirma, no entanto, que não há valores fixos para a quantia angariada pela plataforma - cada percentagem é definida caso a caso, de marca para marca.

Atualmente, são já perto de 200 as marcas disponíveis na aplicação (com áreas de foco que vão desde a Moda à Tecnologia, passando pela Decoração e até pela Comida). A plataforma, disponível tanto para dispositivos da Apple como Android, está aberta a utilizadores de todo mundo.

"Democratizar o estatuto de 'influencer'"

Bonnie Takhar conta à TSF que a ideia para este negócio surgiu ao observar a crescente demanda pelos chamados "influenciadores digitais". Nas campanhas publicitárias das grandes marcas comerciais, deixámos de ver celebridades (supermodelos, estrelas de cinema e cantores) para passarmos a ver 'influencers' (figuras com uma grande presença nas redes sociais, que atraem exércitos de seguidores). São eles quem domina o marketing atual.

"Havia claramente uma vontade no mercado de mostrar algo que achava que parecia mais real do que aquilo que se via nas revistas. Foi assim que o marketing dos 'influencers' apareceu", aponta a empreendedora britânica. "Eu fui observando o desenvolvimento de aplicações como o Instagram, e percebi que as pessoas estavam a recomendar produtos a outras pessoas que nem sequer conheciam, e as marcas pagavam-lhes."

"Mas se as marcas estão dispostas a pagar, porque não hão de nos pagar a nós?", questiona Bonnie Takhar. "A nossa voz é mais importante na nossa comunidade do que a de pessoas que nem conhecemos", argumenta.

Foi assim que apareceu o LetsBab, onde toda a gente pode recomendar os produtos que quiser e ganhar dinheiro com isso - sem precisar de submeter-se à "ditadura" dos 'likes', seguidores e partilhas.

"A missão da LetsBab é democratizar o estatuto de 'influencer'", assegura Bonnie. "É alargar a todos uma realidade que estava limitada a apenas alguns."

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados