Trabalhadores da Groundforce receiam já não estar a lutar por salário mas pelo posto de trabalho

Em causa estão as negociações para um adiantamento de 2,05 milhões de euros para pagamento de salários em atraso, relativos a fevereiro, que seria feito pela TAP à Groundforce, em que as ações da Pasogal seriam dadas como garantia.

A Comissão de Trabalhadores da Groundforce admitiu recear a perda dos postos de trabalho, caso seja pedida a insolvência da empresa, depois de não ter sido alcançado acordo entre o acionista privado e a TAP.

A Comissão de Trabalhadores (CT) disse à Lusa que foi informada de que as negociações entre a TAP e a Pasogal falharam, depois de, esta madrugada, o acionista maioritário, Alfredo Casimiro, ter dado conta de que as suas ações já estão penhoradas e, como tal, não as pode dar como garantia para o empréstimo de 2,05 milhões de euros, para pagar os salários em atraso aos cerca de 2.400 trabalhadores.

A CT disse não saber quais são as hipóteses que estão agora em cima da mesa para o futuro da empresa de 'handling' (assistência nos aeroportos), mas admitiu ter receio que se coloque a hipótese de insolvência da Groundforce.

"O nosso receio é esse, é em vez de estarmos a lutar pelo salário já estarmos a lutar pelo posto de trabalho", afirmou João Alves, elemento da CT.

Luísa Borba, da comissão de trabalhadores da empresa, diz que a situação piorou, uma vez que já não estão a lutar apenas pelo pagamento de salários, mas sim pelos postos de trabalho.

"A comissão de trabalhadores recebeu esta informação através de um telefonema de fonte ligada ao Ministério, dando exatamente essa informação, e estamos verdadeiramente preocupados. Na sexta-feira estavamo-nos a manifestar pelos nossos salários. Hoje o intuito da manifestação seria recebermos e forçarmos o restante pagamento dos nossos salários, mas neste momento estamos a lutar pelos nossos postos de trabalho, algo que não estava em cima da mesa", explicou à TSF Luísa Borba.

A porta-voz da comissão de trabalhadores admite que a nacionalização pode ser a única saída para a crise na Groundforce e lamenta que os funcionários estejam a ser utilizados numa guerra de acionistas.

"Andámos uma semana a ser piões entre acionistas, onde o acionista maioritário andou, literalmente, a brincar com a vida de 2400 pessoas. É muito desgastante e frustrante. As pessoas estão, efetivamente, muito desanimadas e preocupadas. A solução agora vai ter de passar obviamente pelo primeiro-ministro", acrescentou a porta-voz da comissão de trabalhadores da Groundforce.

A estrutura que representa os trabalhadores da empresa de handling vai ser recebida durante o dia de hoje por vários grupos parlamentares, onde irá também expor esta questão.

Segundo fonte oficial do Ministério das Infraestruturas e da Habitação, as negociações, que já se arrastavam há vários dias, falharam, porque Alfredo Casimiro, dono da Pasogal, empresa que detém 50,1% da Groundforce, não pode entregar as ações como garantia para o empréstimo, uma vez que já se encontram penhoradas.

Em causa estão as negociações para um adiantamento de 2,05 milhões de euros para pagamento de salários em atraso, relativos a fevereiro, que seria feito pela TAP à Groundforce, em que as ações da Pasogal seriam dadas como garantia.

A TAP é também acionista da Groundforce, com 49,9% do capital, e o princial cliente da empresa da 'handling' (assistência nos aeroportos), e desde novembro tem vindo a fazer adiantamentos à Groundforce, que teve uma grande quebra de receitas devido ao impacto da pandemia no setor da aviação.

Na quinta-feira, em conferência de imprensa, o ministro das Infraestruturas disse que o empréstimo bancário à Groundforce será dado com aval do Estado, realçando que as exigências para o financiamento aguardado serão "as mesmas" que as impostas para o adiantamento pela TAP.

Questionado sobre a demora da operação, apontada pela empresa como justificação para o atraso no pagamento dos salários, o governante adiantou que "havia um conjunto de informação que estava a ser pedida [à empresa], mas não estava a ser dada e isso atrasou o processo".

"A disponibilidade para fazer essa operação existe", disse, referindo que "em princípio, [...] o empréstimo chega durante o mês de março".

Em comunicado enviado na quinta-feira, o acionista privado da Groundforce adiantou estar "já negociado" o empréstimo bancário com aval do Estado, "de 30 milhões de euros das anunciadas linhas Covid".

Na conferência de imprensa, Pedro Nuno Santos sublinhou que "é preciso que se entenda que as exigências que a TAP está a fazer à Groundforce [para o adiantamento de 2,05 milhões de euros para pagamento de salários em atraso] são as mesmas que o Estado português exigirá pelo empréstimo bancário".

"Aquilo que está a ser recusado hoje acabará por ter de ser recusado na altura do empréstimo bancário, porque as exigências são as mesmas", acrescentou.

Pedro Nuno Santos disse então que a Groundforce "tem dinheiro em caixa que lhe permitiria pagar metade dos salários dos trabalhadores".

"Sabemos que há cerca de 1,4 milhões de euros em caixa. Posso estar errado no valor, mas sabemos que há dinheiro em caixa desta dimensão", referiu.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação considerou "inaceitável" a proposta do acionista privado da Groundforce (a Pasogal, de Alfredo Casimiro) de exigir manter o controlo da empresa em caso de execução da penhora da sua participação por incumprimento do pagamento da dívida à TAP.

Na conferência de imprensa na quinta-feira à noite, Pedro Nuno Santos explicou que o acionista privado da Groundforce, Alfredo Casimiro, tinha aceitado um penhor das ações relativas à sua participação (50,1%, através da Pasogal) para receber um adiantamento de cerca de dois milhões de euros, mas exigiu - em caso de execução - manter o controlo da empresa de 'handling' (assistência nos aeroportos), em que a TAP detém 49,9% do capital.

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