Trabalhadores da Partex acusam Gulbenkian de não dialogar e exigem rede de segurança

Petrolífera detida pela Gulbenkian está em processo de venda a grupo tailandês. Trabalhadores receiam fim da operação em Portugal, exigem rede de segurança e acusam Fundação de recusar o diálogo.

O Grupo de Representantes dos Trabalhadores da Partex (GRTP) exige uma rede de segurança que lhes dê garantias caso, como receiam, a empresa seja reestruturada daqui a dois anos.

A petrolífera que emprega 80 pessoas (50 das quais em Portugal) e é detida pela Gulbenkian - e que é anterior à Fundação - está em processo de venda ao grupo tailandês PTTEP, num negócio que pode valer mais de 550 milhões de euros. Nas negociações para a operação, o futuro acionista garantiu a manutenção dos postos de trabalho durante 24 meses, e os funcionários temem pelo que pode acontecer a seguir.

"Uma empresa estrangeira que compra os ativos da Partex não tem interesse nenhum em ter aqui uma estrutura, tão longe da sua sede", argumenta Laura Soares do GTRP.

Os funcionários entendem que é provável "uma reestruturação daqui a dois anos porque acontece isso sempre que há este tipo de fusões das companhias de petróleo. Ao longo de toda a história existiu sempre este problema. Há a absorção durante um período de tempo de transição e depois há o desmantelamento através de uma reestruturação e numa reestruturação nós temos muito receio de perder os nossos postos de trabalho", explica Laura Soares.

O GRTP "receia um despedimento coletivo" e reivindica "que seja fornecido aos trabalhadores um plano de continuidade laboral para além dos dois anos e um dia que nos foi prometido".

Laura Soares argumenta "o GRP não representa apenas os quadros técnicos mas também o backoffice" e questiona "o que vai acontecer as estas pessoas, numa faixa etária dos 50 anos, numa reestruturação", dando certo que "a maior parte vai ficar no desemprego", porque "mesmo que os técnicos sejam realocados nas operações de uma companhia internacional, fora do país, este pessoal do backoffice não tem qualquer possibilidade de trabalhar fora do país porque se torna redundante"

O GRP garante ainda que não ficou descansado com as palavras do presidente da companhia, que em entrevista à TSF e Dinheiro Vivo manifestou confiança no futuro da marca: "não ficamos descansados porque isto para nós isso é um conjunto de intenções. Não vimos nada escrito, não nos foi mostrado, tudo o que nos foi dito foi verbalmente. Estamos fartos de pedir uma cópia do memorando de entendimento no que respeita aos trabalhadores, que nos tem sido permanentemente negado".

A Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), desde sempre acionista único da marca, também não escapa às acusações dos representantes dos trabalhadores: "o que vimos é aquilo que a Dra Isabel Mota falou à imprensa e o que diz o nosso CEO. Não vimos qualquer documento que tenha valor jurídico", manifestando ainda preocupação com "a posição da Fundação Calouste Gulbenkian não querer ouvir, falar ou negociar com os trabalhadores. Não entendemos esta posição e estamos muito preocupados com isso".

O GRP entende por isso que deve ser garantias de segurança, um pacote que seja "aquilo a que chamamos a proteção para além dos dois anos e um dia. Se tudo correr bem, não é preciso isso ser acionado e fica tudo como está". Esse pacote asseguraria que "se por acaso o novo acionista da Partex desmantelar o escritório e tiver necessidade de despedir pessoas, então os trabalhadores terão acesso a essa rede de proteção para além dos dois anos e assim ficaremos descansados", explica Laura Soares.

O Grupo argumenta que os trabalhadores não querem "parar o negócio nem prejudicá-lo", assegurando no entanto que os funcionários "não querem trabalhar sem segurança e essa segurança não nos está a ser dada". E apontam o dedo: "culpabilizamos a FCG e a administração da Partex porque não nos ouve e isso tem-nos levado a um conjunto de decisões, e estamos a chegar a um limite". Uma dessas decisões, anunciada recentemente, foi a impugnação da decisão do governo de não se pronunciar sobre a venda.

"A Partex sempre deu lucro", explica Laura Soares, "e é com a FCG, que sempre foi a nossa única acionista, que temos de fechar este livro. É a Fundação que tem de ser responsabilizada pelos trabalhadores., não com o novo comprador, que não tem de assumir esse ónus", afirma referindo-se à exigência quanto à rede de segurança que exigem do atual acionista.

O grupo alerta também que foi "informado pela administração da Partex que há negociações tripartidas, em que a Fundação está a querer passar esse ónus para o novo comprador. Não é a nossa opinião. A FCG tem de se chegar à frente e falar com os trabalhadores que lhe dão lucro e que sustentam cerca de 40% do orçamento anual da Fundação".

Para os funcionários, a operação pode colocar em causa o funcionamento da Fundação: "sabendo o impacto que a Partex tem na FCG, questionamos sobre a perpetuidade da FCG, e sobre se se a FCG vai ter mesma capacidade de manter o ritmo de apoio cultural e social que tem tido. O Estado tem de defender os direitos dos cidadãos", conclui.

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