Tribunal europeu volta a "chumbar" tributação portuguesa de veículos usados

O regime de tributação português para os veículos usados importados não toma em conta "a desvalorização real desses veículos, nomeadamente na redução da componente ambiental", confirma o Tribunal de Justiça da União Europeia.

O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) reiterou nesta quinta-feira que o regime de tributação que Portugal impõe a veículos usados importados não está conforme à legislação comunitária porque não considera "a desvalorização real".

Num acórdão proferido esta quinta-feira, sobre uma ação por incumprimento interposta pela Comissão Europeia, o TJUE considera que, apesar das alterações já introduzidas após um acórdão de 2016, o regime de tributação português para os veículos usados importados não toma em conta "a desvalorização real desses veículos, nomeadamente na redução da componente ambiental", segundo uma nota de imprensa.

Quando um veículo é vendido como usado num Estado-membro, "o seu valor de mercado, que inclui o montante residual do imposto de registo, será igual a uma percentagem, determinada pela desvalorização desse veículo, do seu valor inicial", considera o tribunal, acrescentando que, em Portugal, "não está prevista nenhuma redução da componente ambiental que reflita a desvalorização do valor comercial do veículo a esse título".

"Embora os Estados-membros sejam livres de definir as modalidades de cálculo do imposto de registo de modo a ter em conta considerações relacionadas com a proteção do ambiente, deve ser evitada qualquer forma de discriminação, direta ou indireta, relativamente às importações provenientes de outros Estados-membros, ou de proteção em favor de produções nacionais concorrentes", salienta o acórdão.

O Tribunal de Justiça da UE refere ainda que, embora os contribuintes possam optar por outro método de cálculo do imposto em causa, requerendo ao diretor da alfândega que o recalcule com base na avaliação efetiva do veículo em questão, "a existência de um método alternativo de cálculo de um imposto não dispensa um Estado-membro da obrigação de respeitar os princípios fundamentais de uma norma essencial do Tratado sobre o Funcionamento da UE, nem autoriza esse Estado-membro a violar esse Tratado".

Uma ação por incumprimento, dirigida contra um Estado-membro que não cumpriu as suas obrigações que lhe incumbem por força do direito da União, pode ser proposta pela Comissão ou por outro Estado-membro.

Se o Tribunal de Justiça declarar a existência do incumprimento, o Estado-membro em questão deve dar execução ao acórdão o mais rapidamente possível.

Caso a Comissão considere que o Estado-membro não deu execução ao acórdão, pode propor uma nova ação pedindo a aplicação de sanções pecuniárias.

Contactado pela TSF, o secretário-geral da Associação do Comércio Automóvel explica que este é um tema antigo que só pode ser resolvido com uma harmonização fiscal a nível europeu. Helder Pedro assinala que na raiz do problema está o facto de os impostos pagos no momento da compra serem mais altos em Portugal. "Havendo esta tributação elevada no país, aquando da compra, que não existe dessa forma noutros países, designadamente na Alemanha, leva a que haja necessidade de o Governo português, os vários governos meterem uma tabela de descontos para os veículos usados já matriculados noutros Estados-membros."

"Estes conflitos irão continuar até que haja essa harmonização, ou até que haja uma reforma da fiscalidade em Portugal, que retire a carga fiscal tão pesada no momento da compra", assinala o responsável, que diz que os consumidores portugueses acabam por ser discriminados em relação a outros compradores europeus que adquirem carros novos.

* Atualizado às 14h05

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