"Não queremos comunicação social doente". ERC promete apoio incondicional

Por falta de dinheiro, várias publicações jornalísticas de todo o país já tiveram de parar de imprimir. Sindicato dos Jornalistas critica demora do governo para estabelecer apoios. Regulador promete "apoio incondicional" depois de audiência com Presidente da República.

A tónica é apenas uma: são precisos apoios urgentes para a comunicação social. Há mesmo quem vá mais longe, sublinhando que não se pode deixar a comunicação social adoecer, mas a doença já chegou mesmo aos media com jornais a fechar portas e receitas a descer abruptamente.

Numa série de audiências seguidas, o Presidente da República recebeu o setor dos media para perceber o impacto da Covid-19 na comunicação social portuguesa.

O último a ser recebido foi Sebastião Póvoas, presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, que saiu sem querer falar da conversa que teve com Marcelo Rebelo de Sousa, mas deixou claro o apoio incondicional do regulador.

"Temos de conseguir, todos juntos e unidos, uma terapêutica para impedir e evitar que a comunicação social, os profissionais que trabalham, que são ilustres e que têm feito uma cobertura deste período dramático que só temos a apreciar e a agradecer", diz Sebastião Póvoas.

Para o regulador, é preciso que os profissionais "se mantenham com toda a força e resiliência que têm demonstrado até agora" e promete o tal "apoio incondicional para que se mantenham". E esse apoio materializa-se em quê? O presidente da ERC não especificou.

"Não queremos que a comunicação social fique diminuída e fique doente. No dia em que a comunicação social adoecer, deixa de ser cumprido o artigo da constituição que impõe uma liberdade de imprensa e liberdade de informação com equidistância e independência. Para isso, todos necessitamos de uma comunicação social viva e presente em todas as alturas, designadamente nesta", alerta Sebastião Póvoas que considera que a cobertura jornalística feita da pandemia em Portugal "mereceu palavra de simpatia e de concordância no geral".

Parem as rotativas? Algumas já estão paradas

"Não tinham dinheiro". Associações que representam a imprensa sublinham que há 30 jornais que durante a pandemia deixaram de conseguir imprimir as edições e que 50 redações em todo o país já foram afetadas pelo lay-off.

À saída da audiência com o Presidente da República, o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro, nota que, "os jornais que fecharam, foi porque não tinham dinheiro". "Acho que é uma coisa muito difícil de dizer em 2020: uma empresa, de repente, ficou sem dinheiro", nota.

Já sobre os números de lay off na imprensa, da local à nacional, são cerca de 50 redações afetadas neste momento, não só nas áreas comerciais e administrativas, mas também ao nível dos jornalistas.

Não matem o mensageiro

No que às rádios diz respeito, a maioria das estruturas locais não tem tesouraria para aguentar os próximos dois meses, algumas já tiveram dificuldade em cumprir as obrigações de março.

Nuno Inácio, presidente da Associação de Rádios de Inspiração Cristã, à saída da reunião com Marcelo Rebelo de Sousa deu conta de uma quebra de 70% nas receitas publicitárias das rádios locais.

"Os dados que temos é que todas as rádios locais, sejam detidas por associações, cooperativas ou pequenas empresas privadas de media, é que estão a fazer um tremendo esforço para que isso não aconteça", diz Nuno Inácio.

Para este responsável, "se os portugueses estão hoje a consumir cada vez mais informação, é também preciso que o poder político perceba que é o momento de olhar para o mensageiro e não o matar que é o que neste momento está a acontecer".

Compra de publicidade pelo Estado é insuficiente

Antes das associações que representam a imprensa e as rádios, a presidente do Sindicato dos Jornalistas já tinha sido recebida por Marcelo Rebelo de Sousa para apresentar o diagnóstico provocado por uma pandemia que que "deixou a nu" as já existentes fragilidades do setor.

Além das quebras de receitas publicitárias para todos os órgãos de comunicação social, Sofia Branco nota que, só ao nível da imprensa escrita, há uma quebra de 75% de vendas em banca para os jornais desportivos e de 50% para todas as publicações, com os jornais diários a serem os mais afetados.

Numa altura de urgência para o jornalismo, Sofia Branco realça que a compra de publicidade institucional por parte do governo no valor de 15 milhões de euros é insuficiente e que também não são conhecidos os moldes desse apoio nesta altura.

A presidente do sindicato denuncia também que as reuniões prometidas pelo governo com o setor não aconteceram ainda e que o Presidente da República se comprometeu a ajudar nessa tarefa."O Presidente comprometeu-se, desde logo, a tentar perceber em que se traduzirá este apoio dos 15 milhões, com que moldura e que critérios, apoiando quem, que empresas, e ao mesmo tempo perceber quando vai começar essa tal discussão para a ação, para serem adotadas outras medidas que obviamente têm de acompanhar esta medida de emergência que não é suficiente", nota.

Entre as medidas propostas pelo Sindicato dos Jornalistas estão a redução do porte pago e outros apoios urgentes à imprensa regional, a compra pelo Estado e empresas do setor empresarial do Estado, sendo para isso financiadas, de subscrições online de órgãos de informação, a criação de vales através dos quais o Estado oferece aos cidadãos assinaturas físicas ou digitais de órgãos de informação.

Por Belém, passou ainda Luis Nazaré, diretor executivo da Plataforma dos Media Privados, que ajudou a fazer o diagnóstico de um setor que vive uma situação económica que "não é boa" e que merece uma especial atenção.

Depois da reunião com o Chefe de Estado, Luis Nazaré deixou claro que a indústria dos mdias está "entre as indústrias que mais diretamente têm sofrido com a crise sanitária". "Desde logo porque mantemos a atividade plena, estamos presentes no momento, as nossas equipas continuam operacionais, muito embora haja fenómenos de redução, como sabemos, devido a circunstancialismos económicos", conclui.

(atualizado às 21:20 com as últimas audiências do dia)

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