Tudo ou nada na TAP. Negociações entre Estado e privados prosseguem para evitar nacionalização

Fonte próxima do processo diz à TSF que as negociações continuam. A nacionalização da companhia aérea é o último recurso do Governo, que procura ainda um acordo com os acionistas privados da TAP.

Ainda é possível um acordo. É pelo menos essa a convicção dos dois lados da mesa das negociações que, a esta hora, ainda decorrem. À TSF, fonte muito próxima do processo garante que nem os acionistas privados, nem o Governo deram ainda as negociações por terminadas e que há uma grande vontade de evitar um cenário de nacionalização da companhia aérea.

Ao contrário do que foi noticiado ao longo desta quarta-feira por alguns órgãos de comunicação social, a decisão de nacionalizar a TAP ainda não está tomada. Por volta da hora do almoço, o presidente do Partido Socialista, Carlos César, adiantava, no programa da TSF "Almoços Grátis", que as negociações entre o executivo socialista e os acionistas privados da TAP "estão, neste momento, suspensas para uma última palavra sobre o tema por parte dos sócios privados." César avisava, no entanto, que "como estamos não podemos, evidentemente, ficar" e que "a empresa tem de ser preservada", mas reconhecia, ao mesmo tempo que "a nacionalização pura e simples deve ser evitada".

À TSF, Carlos César sublinhava que as horas seguintes seriam decisivas e que "se até ao fim do dia ou da madrugada" não concluísse essa negociação com os privados, o Governo teria de tomar uma decisão". O presidente do PS adiantou mesmo que o diploma da nacionalização já estava pronto para ir a Conselho de Ministros esta quinta-feira, caso não fosse possível chegar a acordo com os privados.

Nacionalização ou falência?

Também esta quarta-feira, o vice-presidente do PSD, David Justino, veio defender, na TSF, que a melhor solução é, obviamente, chegar a acordo com os acionistas privados, mas, caso esse acordo não seja possível, pede ao Governo que não se precipite. Justino avisa que "temos de ponderar muito seriamente" o cenário da nacionalização, porque não sabemos "quanto é que vai custar", lembrando que "se agora são 1200 milhões", para o ano pode ser "outros 1200 milhões."

Mas e se o acordo com os privados falhar e a nacionalização for demasiado cara? O que é que sobra? A falência? David Justino responde, sem medo, que sim, que esse é um cenário que deve ser muito bem ponderado, até porque, remata: "Falida já ela está."

António Costa prefere acordo

Na cerimónia que assinalou a reabertura das fronteiras com Espanha, o primeiro-ministro sublinhou que a solução para a companhia aérea portuguesa será encontrada nos próximos dias.

"Estou certo de que, se não hoje, no limite, nos próximos dias, teremos uma solução final. Mas, se tivesse de apostar, eu diria que hoje será o dia da solução para a TAP, e espero que negociada e por acordo com os nossos sócios privados, e não propriamente com um ato de imposição do Estado", declarou, acrescentando: "Se for necessário, cá estaremos para isso. Espero que não seja necessário".

Sindicatos e comissão de trabalhadores apelam a acordo "urgente" sobre a TAP

A comissão de trabalhadores da TAP considera urgente um entendimento entre os acionistas da TAP. A mesma posição foi defendida no Fórum TSF, pelo sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, mas também pelo Sindicato dos Técnicos de Handling do Aeroporto e pelo SITAVA - Sindicato dos Trabalhadores e Aviação, que defendem um acordo rápido, procurando evitar despedimentos na companhia aérea nacional.

A coordenadora da comissão de trabalhadores da TAP defende a opção pela nacionalização. Cristina Carrilho lembra a posição assumida antes pelos trabalhadores. "Sempre defendemos que a TAP deveria ser uma empresa nacionalizada ou, pelo menos, uma empresa com controlo público. Só assim é que a empresa consegue satisfazer as necessidades do país (...). Vemos com bons olhos esta perspetiva que o ministro pôs em cima da mesa." Refere, no entanto, que não podem ser "postos em casa direitos laborais ou postos de trabalho".

Já o presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil fala de urgência num acordo. "Não vemos ainda uma luz ao fundo do túnel. É urgente que se chegue a um acordo entre o Estado e o privado", disse Henrique Louro Martins.

"É urgente que os acionistas se entendam sobre o futuro da empresa. Estão em causa muitos postos de trabalho, não só da TAP mas de todos as empresas que circulam em torno deste grupo. Está entre as três empresas mais exportadoras do nosso país", considera ainda.

Notícia atualizada às 7h55 de 2 de julho de 2020

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de