Turismo em Albufeira: "Nunca se viu um verão assim"

Lojas sem clientes, restaurantes fechados, esplanadas vazias. É este o cenário na baixa de Albufeira.

As muitas lojas de artesanato e souvenirs estão vazias, os restaurantes têm apenas os funcionários à porta a aguardar que cheguem os clientes. Graça Canhão trabalhou 30 anos no setor do turismo. Nunca viu um ano assim. "Nos últimos anos, em junho, julho, agosto e setembro, Albufeira estava repleta", lembra. Agora, "os turistas que se veem são portugueses e muitos são residentes em Albufeira. Os restaurantes têm as esplanadas vazias", observa. "Estou perplexa, nunca se viu nada assim", lamenta.

Virgílio trabalha num restaurante em plena baixa de Albufeira. À hora do almoço não se vislumbra quase ninguém nas ruas. Cá fora estão apenas ele e outra funcionária, ambos de máscara no rosto, à espera de clientes. Lamenta que durante o dia o turismo esteja fraco e que à noite, "quando as pessoas começam a andar nas ruas, por volta das 22h e tal", o estabelecimento tem de fechar. "Não podemos aceitar clientes depois das 23h. Isto não dá nem para pagar a despesa", lastima.

Noutra esplanada mais à frente, Mateus limpa com todo o cuidado mesas e cadeiras com desinfetante. Ali, naquele restaurante, estão apenas duas mesas com clientes. "Em fevereiro tínhamos a esplanada cheia. Agora, no verão, não está nem metade", constata.

Albufeira é talvez o destino que mais sofre com a quebra dos turistas britânicos, que, por esta altura, já enchiam as praias, os restaurantes e os bares da cidade. "A maioria eram sempre os ingleses, agora vemos mais portugueses, espanhóis e franceses", diz Mateus. No entanto, mesmo os turistas portugueses também pouco se avistam. Graça Canhão considera natural, com o clima económico que se vive no país. "A nível nacional também houve muitas pessoas a ficarem sem emprego", lamenta.

Até metade do mês de julho tem sido o desânimo para todos os que vivem do Turismo. A expectativa dos comerciantes baseia-se agora no mês de agosto e na vontade de que os britânicos recuem na decisão, considerem rapidamente Portugal um destino seguro e escolham o Algarve para passar férias. "Tenho esperança, tenho que ser otimista", conclui um comerciante.

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