Turismo, Restauração e Cultura. "Começamos a ter dificuldade em compreender as medidas"

Com perdas a agravarem-se todas as semanas, os setores do turismo, da cultura e da restauração pedem medidas mais equilibradas, que não penalizem tanto a economia. Muitos negócios estão prestes a fechar as portas.

As novas medidas de combate à pandemia anunciadas no sábado pelo Governo preocupam vários setores de atividade, que antecipam assim uma agudização dos efeitos, que já se têm vindo a sentir desde o início da pandemia.

O turismo, que era um dos principais impulsionadores da economia, sofreu avultados prejuízos, e Cristina Siza Vieira, presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal, entende que os apoios recebidos não foram adequadas, numa altura em que há já muitos hotéis fechados. "A nossa convicção é [de] que nas cidades não há procura que justifique a abertura", lamenta.

No Fórum TSF, Cristina Siza Vieira falou de um "seríssimo impacto na hotelaria", e adiantou que "necessariamente 70 a 80% da hotelaria vai fechar proximamente".

"Se vão ficar, ou não, definitivamente fechados, vai depender de outro tipo de medidas. Os imóveis onde se encontram os estabelecimentos hoteleiros podem ser comprados com um fundo, com opção de recompra, ao fim de 10 ou 15 anos", completa a representante dos grupos hoteleiros.

E nem o Sul do país e o território algarvio saem ilesos da pandemia. "Tínhamos por exemplo o Algarve, com uma expectativa do mercado de golfe - britânico e irlandês -, que é fundamental para outubro, novembro e dezembro. Não há."

Também o setor da restauração considera que os apoios são insuficientes e tardios. Ana Jacinto, secretária geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) admite que as restrições determinadas pelo Governo começam a ser difíceis de entender. "Têm vindo a público, ainda na semana passada, estudos que nos dizem que os restaurantes são de facto locais de risco muito baixo para a contaminação, sendo responsáveis apenas por 2%", sustenta a responsável, que vaticina: "Começamos a ter alguma dificuldade em compreender as medidas."

Apesar de reconhecer que o Governo "terá a informação mais detalhada", a secretária geral da AHRESP vinca que os empresários não conseguem perceber o equilíbrio entre a economia e a saúde, uma proporção que poderia ser corrigida pelo pacote da retoma económica. Quanto aos apoios às empresas, Ana Jacinto defende assim que "temos de equilibrar as medidas sanitárias, de saúde pública, com as medidas de caráter económico". É este o equilíbrio que, na perspetiva da AHRESP, não está a ser alcançado.

Depois de este fim de semana os agentes culturais se terem juntado num protesto, Álvaro Covões, vice-presidente da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos, assinala que a Cultura foi, "sem dúvida nenhuma, o setor com maior quebra de todos os setores da economia portuguesa", até porque, "ao contrário do que se pensa, o setor não está aberto na sua totalidade".

"O setor cultural só pode apresentar espetáculos com uma lotação de 50% em salas de espetáculos", o que coloca de fora uma parte substancial dos certames, como "festivais, festas de Norte a Sul do país, os espetáculos de massas onde gostamos de ir para dançar e circular", exemplifica Álvaro Covões.

O representante da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos fundamenta que o impacto das proibições se estende para fora do círculo mais restrito da cultura. "Estamos altamente limitados, e não são só os espetáculos, é todo o ecossistema: as salas de espetáculo, empresas de equipamentos, os autores... Portanto, isto tem um alcance inimaginável."

De janeiro a outubro, Álvaro Covões contabilizou dentro do setor uma quebra de 87%, e alerta: por este caminho, quando chegar a altura da retoma, o setor cultural já não existirá.

LEIA AQUI TUDO SOBRE O NOVO CORONAVÍRUS

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