Vistos gold foram entregues a centenas de milionários de países pobres

No mapa dos vistos gold portugueses há países especialmente pobres ou em guerra que se destacam.

Os vistos gold atraíram para Portugal, nos últimos oito anos, centenas de cidadãos muito ricos de países em guerra ou conhecidos pela pobreza das suas populações. Entre eles estão centenas com origem na África Subsaariana ou em países que vivem guerras violentas.

Depois de ter recusado fornecer este tipo de informações, o Tribunal Administrativo de Lisboa obrigou recentemente o Ministério da Administração Interna a responder a uma série de questões enviadas há mais de ano e meio pela Associação Cívica Transparência e Integridade.

Os dados, a que a TSF teve acesso, não respondem a todas as questões, mas revelam um cenário bem mais completo sobre quem faz investimentos milionários em Portugal, quase sempre através da compra de imobiliário, para ter um visto dourado que permite circular, por essa via, no espaço da União Europeia.

97 nacionalidades

Além dos países que estão no topo destes investimentos milionários (dados que o Governo costumava divulgar), uma das conclusões é que os vistos gold já foram entregues a cidadãos de 97 nacionalidades.

Mais de metade destes 8.125 vistos (até novembro de 2019) foram entregues a chineses (4.441), mas daí para baixo o cenário é muito mais variado surgindo dezenas de países de que nunca se ouviu falar antes como tendo interesse em investir na economia portuguesa.

Só a cidadãos do Médio Oriente Portugal entregou 583 vistos gold, com destaque para o Líbano (164), Jordânia (108) Arábia Saudita (76) e Irão (69).

No entanto, refira-se ainda os números expressivos de ricos com origem em países em guerra como a Síria (52), o Iraque (44) ou até o Iémen (3).

Ainda no capítulo países em guerra destaque para os 20 vistos gold entregues a quem vem da Líbia, de um total de 164 entregues a cidadãos vindos do Norte de África com o Egito (57) Argélia (34) e Marrocos (27) no topo.

Os milionários da África Subsaariana

Os vistos gold lusos foram ainda adquiridos por quase quinhentos cidadãos da África Subsaariana, a maioria (318) da África do Sul, o país mais rico da região.

Os países que se seguem, com 171 ricos que investiram em Portugal, incluem nações especialmente pobres e que por norma aparecem no fundo das listas internacionais dos índices de desenvolvimento humano.

À cabeça surge Angola (74), Moçambique (23), Nigéria (16) e Quénia (16).

No entanto a lista é longa e tem países que normalmente estão longe das notícias pela riqueza dos seus habitantes, nomeadamente, e só para citar alguns, o Sudão, os Camarões, o Uganda, o Zimbabwe, o Burkina Faso, o Djibuti, a Eritreia, a Guiné Bissau ou o Ruanda.

Susana Coroado, vice-presidente da Transparência e Integridade, que em Portugal representa a ONG Transparência Internacional, sublinha que os 74 vistos a cidadãos angolanos são um número especialmente significativo tendo em conta a dimensão, reduzida, da elite de Angola.

"Nunca se falou sobre os vistos gold dados a cidadãos angolanos", algo "especialmente relevante no contexto actual do Luanda Leaks", conclui.

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