Mário Nogueira cita Mário Soares para dizer ao PS que não vai desistir de lutar

Documento que previa recuperação integral do tempo de serviço dos professores foi chumbado no Parlamento.

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, citou esta sexta-feira o fundador do Partido Socialista Mário Soares para dizer ao PS e ao Governo que "só é vencido quem desiste de lutar", prometendo que os professores vão continuar a luta.

À saída da Assembleia da República (AR), onde nas galerias do hemiciclo assistiram à votação que ditou o chumbo do texto final da apreciação parlamentar do diploma sobre o tempo de serviço e que inviabilizou a recuperação dos mais de nove anos reivindicados, os líderes sindicais dos professores e outros dirigentes juntaram-se e num breve protesto deram o tom para o que ainda pode estar para vir.

À chuva, os professores foram gritando "A luta continua"; "9 anos, 4 meses, 2 dias"; "Gatunos"; "Mentirosos" e "O tempo é para contar, não é para apagar", à medida que os deputados iam saindo pela porta lateral e seguiam indiferentes aos protestos.

Mário Nogueira reconheceu que o que aconteceu foi "o chumbo anunciado" e citou o histórico líder socialista Mário Soares para garantir que os professores não vão baixar os braços.

"Era o chumbo anunciado. O que podemos dizer é que hoje estão de parabéns o PS e o Governo, porque ganharam esta batalha, mas podem escrever e ter a certeza, que vão perder esta guerra, porque o que eles hoje meteram foi a mão na dignidade dos professores e do seu tempo de serviço. Portanto, quem faz isso e quem o fez no passado e o faça no futuro vai sempre perder. Como nós conseguimos ler ali na parede da sede do PS no [Largo do] Rato é que só é vencido quem desiste de lutar. Como o PS já sabe que os professores não desistem de lutar, os professores não vão ser vencidos", disse.

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, disse ainda que será candidato a continuar à frente da federação de professores e agradeceu ao Governo e ao primeiro-ministro, António Costa, a ajuda na tomada de decisão.

"O PS, o Governo e António Costa ajudaram-me a tomar uma decisão. Irei ser secretário-geral da Fenprof se o congresso assim decidir em 15 de junho, porque o Governo, o PS e António Costa merecem que a luta continue e eu estou disponível para a liderar. Se tenho que agradecer a alguém esta decisão tomada hoje quando saí dali é ao Governo, ao António Costa que ficará indissociavelmente ligado à minha continuidade à frente da Fenprof", disse Mário Nogueira aos jornalistas.

Questionado à saída da Assembleia da República, Mário Nogueira confirmou que pretende continuar à frente da federação sindical mais representativa dos professores, facto a que não é alheio o desfecho da votação de hoje.

A confirmação surge também dias depois de ter sido avançado que a insatisfação com a posição assumida pela esquerda parlamentar face à votação do diploma dos professores, nomeadamente do PCP, estaria a levar Mário Nogueira a ponderar a saída do partido, do qual é militante, algo que veio depois negar.

O congresso da Fenprof decorre a 14 e 15 de junho.

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