Portugal

Abandono de idosos: Ministro admite que é preciso ir além da responsabilização das famílias

O ministro defende que é preciso responsabilizar as famílias que abandonam os idosos nos hospitais e lares, mas reconhece que é preciso tomar em conjunto outras medidas.

No Fórum da TSF, o ministro da Solidariedade e da Segurança Social disse que o Governo admite «responsabilizar as famílias que abandonam idosos», sublinhando que se trata do «ponto mais importante».

PUB

No entanto, sublinhou, «também percebemos que temos de conseguir agir num conjunto de fatores que levam, muitas vezes, as famílias a proceder a esses mesmos abandonos».

«Para nós é muito importante continuar a reforçar as redes sociais, continuar a largar a capacidade de resposta das instituições, mas não podemos ser indiferentes em caso de abandono e violência dos idosos», reforçou.

Pedro Mota Soares disse ainda não recear que a oposição o acuse de estar a tentar, com estes planos, esconder os cortes em diversos apoios socais.

Também o presidente do Instituto de Envelhecimento, ouvido no Fórum da TSF, alertou para a possibilidade de ser «inconstitucional» a ideia do Governo de penalizar famílias que abandonem idosos nos hospitais e lares.

«Se o Governo está a pensar no dia de amanhã e depois de amanhã, nós sabemos que não vai haver filhos e netos para se ocuparem das pessoas que vão envelhecendo», defendeu.

Já o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, acusou o Estado de «oportunismo».

«Trata-se de uma ideia algo peregrina e até cínica, porque este querer responsabilizar à força as famílias é para desresponsabilizar o Estado das suas obrigações naturais, cívicas, constitucionais», sublinhou.

Uma das possibilidades que estão a ser discutidas passa por deserdar os filhos que abandonem os idosos em lares e hospitais. Ouvido pela TSF, Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, disse não concordar com este cenário, mas não se opõe à responsabilização da família.