Arquivo Nacional sem espaço

Já começa a faltar espaço para guardar tantos quilómetros de documentos no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Embora sem um calendário definido, já está a ser equacionada a construção de um anexo porque o edifício da Alameda da cidade universitária só tem vinte quilómetros de prateleiras vazias.

Em 23 anos nas novas instalações já ficaram completos os quatro pisos e emprateleirados quase cem quilómetros de documentos. É por isso que o diretor da Torre do Tombo, Silvestre de Almeida Lacerda, já pensa no alargamento do Arquivo: «Temos um terreno sinalizado para essa matéria. Houve um primeiro esboço da autoria do arquiteto Arsénio Cordeiro».

Silvestre Lacerda lembra que esse alargamento só teria como função «depósito de arquivo» e «para uns bons quilómetros de documentos».

Mas além do espaço físico a Torre do Tombo do século XXI também tem que pensar no espaço digital, porque «a Torre do Tombo não é um arquivo de pergaminho como não é um arquivo de papel como não vai ser só um arquivo eletrónico», lembra Silvestre Lacerda.

O arquivo nacional já digitalizou 15 milhões de imagens que estão disponíveis na internet, mas se 15 milhões pode parecer um valor gigantesco isso não passa de 0,1% dos 100 quilómetros de documentos.

O arquivo nacional da Torre do Tombo tem três classificações como património cultural da humanidade: o Tratado de Tordesilhas, a carta de achamento do Brasil, de Pêro Vaz de Caminha e um grupo de 83 mil documentos do século XII ao século XVIII chamado corpo cronológico foram classificados pela UNESCO.

Uma outra história

As famílias que consideram ter na sua posse documentos que possam fazer parte da história de Portugal estão a entregar na Torre do Tombo esses pedaços da história familiar que possa construir a memória de um país. Foi o caso de uma caderneta de senhas de racionamento, do Estado Novo, durante a segunda guerra mundial, doadas por um particular, mas estes casos estão a aumentar.

Fátima do Ó Ramos da divisão de tratamento documental diz que não são apenas os protagonistas da história de Portugal que pensam ter «documentação que importa à comunidade, ao país e até ao conhecimento internacional».

Deste modo a Torre do Tombo passa a ter à sua guarda documentos que contam uma outra história.

«Os arquivos familiares e particulares corem uma realidade diferente dos da administração pública. Estabelecem teias de caráter social, económico e de proximidade que a administração não tem e não reflete», destaca Fátima do Ó Ramos da divisão de tratamento documental da Torre do Tombo.

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