Igreja Católica

Manifestações são uma corrosão da harmonia democrática, diz José Policarpo

O presidente da Conferência Episcopal, José Policarpo, criticou hoje as manifestações contra as políticas de austeridade, considerando que não se resolve nada com grandes manifestações.

O cardeal patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal, José Policarpo, criticou esta sexta-feira, em Fátima, as manifestações que têm criticado as políticas de austeridade, defendendo que não deve ser a rua a dizer como se deve governar.

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«O que está a acontecer é uma corrosão da harmonia democrática da nossa Constituição e do nosso sistema constitucional», considerou.

José Policarpo considerou que nem uma revolução pode resolver problemas do país, que são antigos e que foram criados ao longo de muitos anos.

«Não se resolve nada contestando, vindo para grandes manifestações. Não se nada nem com uma revolução se resolvia», afirmou.

Questionado pelos jornalistas, o cardeal patriarca de Lisboa disse acreditar que os sacrifícios que o país está a fazer vão ter resultados positivos, mas notou que é na União Europeia que as respostas têm de ser encontradas.

«A situação que se criou foi dentro do sistema económico-financeiro em que estamos inseridos e é nesse sistema que as soluções têm de ser encontradas. A arte política é embrulhar esse caminho, mitigando-o, praticando a equidade, todos gostaríamos que os mais desfavorecidos fossem mais protegidos nesse caminho mas às vezes só há um caminho», referiu.

José Policarpo que disse que não queria entrar na «balbúrdia das opiniões», acabou hoje por contestar o valor das manifestações dizendo que elas representam «uma corrosão da harmonia democrática».

Contactado pela TSF, o bispo das Forças Armadas, Januário Torgal Ferreira, preferiu não comentar estas declarações.

Já o bispo emérito de Setúbal, Manuel Martins, considera que as palavras do cardeal patriarca merecem uma reflexão mais prolongada.