estudo

Portugueses dizem que corrupção aumentou e que favores pessoais contam

Um total de 78 por cento dos portugueses considera que a corrupção está a aumentar e 60 por cento admite que os contactos pessoais são importantes para obter serviços ou acelerar processos na administração pública. O resultado surge no Barómetro Global da Corrupção, publicado pela Transparência Internacional e resultam de um inquérito feito este ano.

São 78% os portugueses convencidos que a corrupção cresceu nos últimos dois anos. Mais de metade vai mais longe e diz mesmo que aumentou muito.

Somos os mais pessimistas da União Europeia. Para além da crise nas contas públicas, Portugal e a Grécia têm outra coisa em comum: são também os que mais acreditam que o problema da corrupção, no setor público, é muito preocupante.

O estudo da Transparência Internacional revela que, apesar das preocupações, são poucas as denúncias e os casos concretos.

Contudo, 60% admitem que é importante ou muito importante os contactos pessoais para obter serviços, resultados ou acelerar processos na administração pública.

Outro resultado que revela o pessimismo nacional em relação aos políticos: a maioria dos portugueses, 53%, considera que o Governo está na mão de um conjunto restrito de grandes interesses económicos. As decisões não são independentes e apenas os favorecem.

O mesmo estudo adianta que cerca de 53 % da população mundial realça que a corrupção agravou-se nos últimos dois anos.

Sobre estes dados, em declarações à TSF, o presidente da Associação Cívica Transparência e Integridade (que representa a Transparência Internacional em Portugal) admite ser preocupante que 78% dos portugueses digam que a corrupção aumentou nos últimos 2 anos.

Luís de Sousa considera, no entanto, que quando fazem esta afirmação as pessoas pensam não apenas na corrupção mais comum, mas também na crise das contas do Estado e nos múltiplos escândalos que vão surgindo com regularidade nos media e ligados a uma espécie de corrupção legal. Os portugueses nao percebem, acima de tudo, como tem sido gerido o dinheiro público.