Meteorologia

Pressão atmosférica em Portugal atingiu valores típicos do Alasca e da Sibéria

Peso do ar por cima de Portugal tem atingido valores acima do normal nas últimas semanas. Dia 9, teve mesmo um valor máximo recorde, nunca visto. Especialistas admitem efeitos em algumas doenças.

Deve estar a ser um inverno difícil para quem tem reumático, lesões antigas ou enxaquecas. A juntar ao muito frio que se prolonga há várias semanas, o antigo Instituto de Meteorologia tem registado valores anormalmente altos de pressão atmosférica durante muitos dias seguidos.

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O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) refere mesmo que registou na última sexta-feira, dia 9, números nunca vistos na pressão atmosférica em Portugal e que habitualmente encontram-se no Alasca e na Sibéria.

À TSF, Pedro Viterbo, director do Departamento de Meteorologia e Geofísica, explica que a pressão atmosférica não se vê e pode definir-se, de uma forma simples, como «o peso do ar que está em cima de nós». Nas ultimas semanas, este peso tem sido acima do normal em Portugal, atingindo um pico no dia 9 de janeiro com um valor histórico, nunca visto, em Bragança (1050 hPa, a unidade para medir a pressão atmosférica).

O especialista refere, contudo, que os valores altos têm ocorrido em quase todo o Continente, acima dos 1040 hPa. Este é um valor muito invulgar em Portugal, mas comum na Sibéria ou no Alasca. Apesar de ter diminuído desde o pico do final da semana passada, o 'peso do ar' por cima de Portugal continua «muito elevado» por estes dias e só deve passar para valores normais no início da próxima semana. A culpa é de um bloqueio, que não se via há vários anos, no anticiclone dos Açores, e que se prolonga há semanas.

Esta é a mesma razão que tem motivado o tempo muito frio, que se regista desde o Natal, e que afeta as dores reumáticas e em lesões antigas.

Pedro Viterbo acrescenta que a pressão atmosférica elevada, ao nível da que se tem registado nos últimos tempos em Portugal, tende a influenciar igualmente a saúde das pessoas, sobretudo quem sofre enxaquecas, nomeadamente pelos efeitos que tem na circulação do sangue. «As pessoas podem sentir-se mal por estarem sob pressão alta de forma continuada», explica.

O presidente do Colégio de Medicina Geral e Familiar da Ordem dos Médicos admite que o frio é habitualmente um problema para os doentes com problemas nos ossos, tal como a pressão atmosférica para quem tem enxaquecas. Jose Silva Henriques explica no entanto que não tem notado um aumento na procura de consultas. Mais urgentes têm sido os casos de problemas respiratórios e síndromes gripais.

Isabel Pavão Martins, neurologista, especialista em dores de cabeça, também diz que não tem notado um aumento de doentes. Contudo, admite que, quando têm uma crise, estes vão normalmente mais às urgências do que aos médicos da especialidade e explica que não é só a pressão atmosférica que afeta as enxaquecas.