Portugal

«Rei não pode comer faisão quando o povo come broa», diz teólogo

O alerta é do Frei Fernando Ventura, teólogo atento ao mundo dos homens, que preveniu, em declarações à TSF, os dirigentes políticos e aconselhou os sindicatos a terem cuidado com os excessos.

Comentando, esta manhã, na TSF, as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, o Frei Fernando Ventura considerou que «são durissimas».

«Dou o benefício da dúvida ao primeiro-ministro, naturalmente, porque é uma situação real de desespero absoluto. Agora falta fazer o resto: ser capaz de apoiar um povo inteiro que não pode morrer. É importante que as tais gorduras do Estado de que Passos Coelho falava, não se transformem em colesterol. O rei tem que ter muito cuidado em não comer faisão, quando o povo come broa», alertou.

O teólogo, biblista e professor de Ciências Religiosas no ISCRA, em Aveiro, manifestou ainda o desejo de que «os nossos dirigentes fossem capazes, por exemplo, durante este período de emergência social, de ficar com mil euros por mês».

«Porque não está dito, não está provado, não está ainda claro para as pessoas, que estão a ser chamadas a pagar a factura, que as tais gorduras, os tais desperdícios e o disparate nacional despesista, que nos caracterizou nos últimos anos, esteja completamente debelado», justificou o Frei Fernando Ventura.

Na sua opinião, Passos Coelho não «deve atraiçoar a confiança do povo», por isso «é preciso que sejam todos a fazer sacrifícios, e o exemplo tem de vir de cima».

Apesar de todos estes alertas ao Governo, o Frei Fernando Ventura chamou também a atenção dos sindicatos.

«Quando entramos no olho por olho, acabamos todos cegos, o perigo é este. Há uma responsabilidade de formação da opinião pública, de criação de uma consciência reivindicativa, mas que tem também de ser solidária», frisou o teólogo, sublinhando que ainda não viu os sindicatos a fazê-lo.

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