Ricardo Araújo Pereira explica o que é preciso para "nascer duas vezes"

O apoio de Ricardo Salgado à campanha eleitoral de Cavaco Silva em 2011 pode ter sido dez vezes superior ao permitido pela lei. O caso, que veio agora a público, foi analisado no Governo Sombra, com a seriedade habitual.

O apoio de Ricardo Salgado à campanha eleitoral de Cavaco Silva em 2011 pode ter sido dez vezes superior ao permitido pela lei. O caso, que veio agora a público, foi analisado no Governo Sombra, com a seriedade habitual.

João Miguel Tavares quis ser "ministro do Saco Azul", por causa de uma investigação da revista Sábado, segundo a qual Ricardo Salgado terá conduzido um esquema ilegal de forma a financiar com 253 mil euros a campanha eleitoral de Cavaco Silva em 2011.

Segundo a investigação , pelo menos dez administradores ou altos cargos do BES terão doado, a título individual, o máximo legal para a campanha - cerca de 25 mil euros - tendo sido depois reembolsados dos mesmos valores através da "Espírito Santo Enterprises", a empresa offshore que funcionava como "saco azul" do GES. O prazo legal para o eventual crime de financiamento ilegal prescreveu em 2016, mas o Ministério Público está a investigar se existe enquadramento legal para crimes com um prazo mais alargado, como fraude fiscal ou branqueamento de capitais.

"Quantas vezes será necessário nascer para se poder comentar uma notícia como esta, Ricardo Araújo Pereira?" - pergunta o moderador Carlos Vaz Marques, numa alusão à famosa frase que Cavaco Silva dirigiu a Defensor Moura em 2010, relativamente ao caso BPN: "Para serem mais honestos do que eu têm que nascer duas vezes".

Ricardo Araújo Pereira começa por apresentar a sua interpretação dessas declarações: "Estive a pensar muito nisso e não sei como dizer isto na televisão, mas, quando o Cavaco diz "precisa de nascer duas vezes", nascer duas vezes é uma perífrase para "vai para determinada área do corpo da tua mãe", é isso que ele quer dizer. Porque uma pessoa que vai nascer a segunda vez tem de retornar, digamos, àquela área".

No meio da galhofa desencadeada pela interpretação mirabolante do humorista, Pedro Mexia protesta e afirma que, ainda que em forma de perífrase, Ricardo Araújo Pereira acabara de dizer "a coisa mais ordinária que já foi dita na televisão portuguesa" - apesar de não ser provável que assim seja.

A análise ao caso continua, e Ricardo Araújo Pereira faz notar que encontra um paralelismo entre Cavaco Silva e José Sócrates: ambos são antigos primeiros-ministros, e ambos receberam dinheiro "de uma maneira que é esquisita".

Esses factos levam a mais uma daquelas situações que o humorista gosta de classificar como "benficas-sportings", em que um grupo de pessoas critica ferozmente um adversário por se encontrar em determinada situação, mas minimiza a mesma situação se envolver alguém do seu lado da barricada: "não se fala dos dinheiros recebidos esquisitamente por este ex-primeiro-ministro, vamos é falar dos dinheiros recebidos esquisitamente por este (outro) ex-primeiro ministro!' - e depois troca" - explica.

João Miguel Tavares prova o argumento, protestando contra a comparação.

Outra coisa que marcou o humorista em relação a este caso foi o "castigo" que Cavaco Silva terá aplicado a um jornalista da CMTV, quando este o questionou sobre o caso. Confrontado pelo jornalista, Cavaco Silva remete os esclarecimentos para o seu mandatário financeiro, explicando que nunca acompanhou os financiamentos das suas campanhas.

Mas o jornalista insiste e pergunta se as declarações feitas pelo antigo primeiro-ministro em 2014 (em que Cavaco terá dito que "o banco de Portugal já disse que os portugueses podem confiar no BES") - teriam sido influenciadas pela amizade com Ricardo Salgado.

Cavaco Silva afirma perentoriamente que nunca teve nenhuma amizade com Ricardo Salgado e afasta-se. Mas regressa - o que levou Ricardo Araújo Pereira a pensar que o jornalista iria ser fisicamente agredido, mas o que se passa a seguir acaba por ser "pior ainda": Cavaco Silva recomenda ao jornalista que leia os 22 livros de memórias que tem publicados - "eu preferia levar uma carga de pancada!" - explica o humorista.

A emissão completa do Governo Sombra, para ver ou ouvir , sempre, em tsf.pt.

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