jornalismo

Rui Rio sugere «balizas» para a comunicação social

Os sobressaltos do poder político não são de hoje e as receitas para tratar do "problema" da liberdade a mais têm variado ao longo dos anos e dos regimes. Esta quarta-feira foi Rui Rio quem veio pedir mais leis e maior vigilância sobre os media.

Durante uma conferência em Lisboa, organizada pelo International Club of Portugal, Rui Rio defendeu alterações à legislação ligada à comunicação social para haver maior responsabilização.

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«Nós temos uma comunicação social a quem praticamente tudo é permitido. Não é possível continuar num regime democrático com a comunicação social sem ter balizas para a sua atuação porque dizer às pessoas lá fora, transmitir a ideia, que na política são todos aldrabões, todos vigaristas e todos corruptos, isso é defender exatamente os corruptos e aqueles que para lá vão nessas circunstâncias porque as pessoas sérias afastam-se de locais onde só há bandidos e corruptos», criticou.

«Isto é um crime à democracia que se está a fazer, isto não é aceitável, assim estamos a afundar cada vez mais o regime e este problema é fácil de resolver, carece de ser ajustado do ponto de vista legal», rematou Rui Rio.

A TSF tentou, esta noite, por diversas vezes chegar à fala como o político através da respetiva assessora, para obter mais esclarecimentos sobre a que tipo de «balizas» se refere Rui Rio, mas tal não foi possível.

Mas não é segredo que a relação entre o presidente da Câmara do Porto e alguma imprensa não é muito fácil. Rio tem apresentado várias queixas, nomeadamente contra o jornal Público e o Jornal de Notícias (JN).

Em declarações à TSF, o diretor-adjunto do Público, Manuel Carvalho, disse que não ficou surpreendido com as palavras de Rio.

«Praticamente desde que o doutor Rui Rio chegou à Câmara do Porto tem mantido uma critica sistemática à comunicação social e também, convém notá-lo, ao sistema judicial, precisamente os dois contra-poderes do poder político numa democracia com o mínimo de consistência. Rui Rio não partilha os valores da critica nem da fiscalização que a comunicação social tem numa democracia», lembrou Manuel Carvalho.

«Foi na sequência desse pensamento e dessa atitude que ele nunca conseguiu ter uma relação minimamente normal com nenhuma direção editorial dos jornais do Porto, com a esmagadora maioria dos jornalistas independentes, e é também por isso que é um dos maiores clientes da ERC em termos de queixas que apresenta», referiu.

A TSF tentou também um contacto com o presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), Carlos magno, para saber o que pensa das ideias expressas por Rui Rio, mas o presidente da ERC não quis comentá-las.