Portugal

Soares apela à união dos portugueses contra onda de privatizações

Mário Soares considera que os portugueses não podem ficar paralisados e devem juntar-se por razões nacionais para defenderem o país da onde de privatizações que está em curso.

O antigo Chefe de Estado disse, a noite passada numa conferência em Loulé, que não se sabe quem manda, se o Governo ou a troika, e sublinhou que estão a ser vendidos os anéis sem que se saiba quem está a ser beneficiado com isso.

«Vender as Águas de Portugal, vender a TAP, vender tudo e o que é que fica do nosso país? Acho que isto é de uma gravidade estranha e penso que todos os patriotas têm que se juntar, não por razões políticas, mas por estas razões simples e lutar para que as coisas mudem. Se não, todos somos responsáveis», alertou.

Mário Soares vaticinou que o descontentamento social vai aumentar, defendendo que só o primeiro-ministro Passos Coelho tem uma visão otimista para o próximo ano.

«Disse [na rentrée política] que estava muito contente porque as 'coisas estão a correr bem e para no próximo ano ainda vai ser melhor'. Ora honestamente, devo dizer que, estou convencido exatamente do contrário, é que vai ser muito pior se não mudarmos de paradigma, de política e se não pusermos os mercados na ordem», afirmou.

Mário Soares considerou ainda que é preciso regressar aos valores da ética e da consciência social e criticou Passos Coelho por ter exigido sacrifícios aos portugueses sem ter atingido as metas a que se propôs.

«Se fez tantos sacrifícios, se levou tanta gente à miséria, ao menos que tivesse diminuído o défice em que nós estávamos, foi para isso que ele [Passos Coelho] fez a austeridade. Mas não, há mais défice agora do que havia, talvez até o dobro», contestou Soares.