Almada

Trabalhadores de Estaleiros do Alfeite sem nada para fazer

Com pouco ou nada para fazer, os trabalhadores do Arsenal do Alfeite limitam-se a fazer a manutenção das oficinas ou então a fazer pequenos trabalhos em barcos civis.

Os 600 trabalhadores dos Estaleiros Navais do Alfeite, em Almada, dizem que pouco ou nada têm para fazer e os sindicatos já receiam o despedimento de duas centenas de funcionários.

Num local cuja principal função é tratar dos navios da Marinha, muitos ocupam o tempo a substituir pregos ferrujentos nas oficinas, uma vez que há muito que não entram barcos de guerra para manutenção.

O último navio da Marinha saiu há cinco meses e desde então os trabalhadores destes estaleiros dizem que apenas têm aparecido reparações rápidas a barcos civis.

«Invento trabalho. Ando às vezes nas oficinas e só vejo o sol encostado às bancadas, porque não há trabalho. Psicologicamente, é bastante traumatizante estar aqui oito horas a não fazer aquilo que devia dar lucro ao país e ao Arsenal do Alfeite», explicou Mário Matos, um dos trabalhadores.

O serralheiro civil Hélder Viegas diz que se vê «tudo parado» e o electromecânico Pedro Dias lembra que «tudo o que aparece para as pessoas que existem é muito pouco».

O sindicalista Rogério Caeiro classifica a situação de «confrangedora, porque neste momento temos 600 trabalhadores que se apresentam todos os dias no seu local de trabalho a fim de desempenhar a sua profissão, um direito que lhes é negado».

«Neste momento, podemos dizer que não há nada para fazer. A carteira de encomendas no Arsenal do Alfeite é zero», acrescentou.

Os trabalhadores já indicaram que as chefias avisaram que Governo e administração preparam-se para despedir 200 pessoas, numa altura em que já se teme o fim desta empresa.