BCP

Carlos Costa garante que desconhecia os títulos que as 'offshore' do BCP detinham

O antigo diretor da área internacional do BCP disse, em tribunal, que não tinha conhecimento sobre qual era a prática da gestão discricionária das 'offshores' do banco que estão a ser investigadas pela justiça.

«Não tinha conhecimento de qual era a prática da gestão discricionária, nem tinha conhecimento que não havia 'ultimate beneficial owner' [beneficiário último]» das mesmas, afirmou o atual governador do Banco de Portugal.

Carlos costa explicou que as funções que tinha não o obrigavam a ter essa informação sobre as sociedades não residentes ('offshore') com as quais o responsável assinou contratos de renovação de créditos.

O antigo diretor do BCP respondia às questões colocadas pela procuradora do Ministério Público sobre se tinha conhecimento que as carteiras das 17 sociedades 'offshore' do BCP das ilhas Caimão eram compostas unicamente por títulos do BCP.

Foi também questionado sobre se tinha, na altura em que desempenhou funções no banco, o conhecimento sobre quem eram os beneficiários últimos das sociedades não residentes.

O governador do Banco de Portugal testemunhou hoje no julgamento do processo-crime instaurado pelo Ministério Público contra quatro antigos altos quadros do BCP, entre os quais Jardim Gonçalves.

Carlos Costa trabalhou no BCP entre janeiro de 2000 e março de 2004, na qualidade de diretor da área internacional, tendo ainda acumulado responsabilidades na unidade de custódia do banco.

O Ministério Público acusa dois antigos presidentes do BCP, Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal, e dois ex-administradores do banco, Christopher de Beck e António Rodrigues, dos crimes de manipulação de mercado e falsificação de documentos, tendo o julgamento arrancado no final de setembro do ano passado nas Varas Criminais de Lisboa.

Em março de 2012, Carlos Costa também foi chamado a depor no julgamento de recurso às coimas e inibições aplicadas a nove antigos altos quadros do banco pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) por prestação de informação falsa ao mercado entre 2002 e 2007.

Na ocasião, quando questionado sobre as 17 sociedades 'offshore' [com sede em paraísos fiscais] que constam do processo da CMVM - que se encontra atualmente sob análise do Tribunal da Relação, após os arguidos terem todos recorrido da condenação aplicada pelo Tribunal de Pequena Instância Criminal -, Carlos Costa disse desconhecer quem eram os detentores das 'offshore' e que «não havia nenhuma razão para as 17 'offshore' [em causa] serem tratadas como um pelotão».

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