Sá Fernandes pondera processar Estado por falhas na investigação

O advogado admite processar o Estado português por «falhas gravíssimas» na investigação da Polícia Judiciária (PJ) nos primeiros dias após o desaparecimento de Rui Pedro.

O jurista, que representa a família da criança de Lousada desaparecida desde 1998, revelou também que vai solicitar uma reunião com a direcção nacional da PJ para que sejam apuradas «todas as responsabilidades» relativamente a actos de que tomou conhecimento hoje e que considerou «gravíssimos».

Ricardo Sá Fernandes falava à saída do tribunal de Lousada no final da décima sessão de julgamento de Afonso Dias, acusado do rapto de Rui Pedro. Nesta sessão depuseram mais três inspectores que, em 1998, integraram a primeira equipa da PJ que investigou o desaparecimento do menor.

Dois desses inspectores, nomeadamente João Rouxinol e José Azevedo, corroborados por Damiana das Neves, que coordenava a equipa à data dos factos, disseram ao tribunal que nas primeiras diligências efectuadas não atribuíram credibilidade às declarações da prostituta que alegava ter estado com um menor e que este fora levado por um adulto.

Contudo, os inspectores não recolheram para os autos as declarações da mulher, apesar de a terem inquirido informalmente, nem a confrontaram com o suspeito Afonso Dias.

O MP sustenta neste julgamento que Rui Pedro nunca mais foi visto após o alegado encontro com a prostituta, levado por Afonso Dias.

Ricardo Sá Fernandes, acompanhado dos pais de Rui Pedro, disse aos jornalistas ter ficado «surpreendido e chocado» com o facto de os inspectores saberem desde a primeira hora quem era a prostituta, conhecendo as suas informações, e nada tenham feito para «tirar a limpo» aquela pista.

«Isso ultrapassa todos os limites», afirmou o advogado, considerando que o comportamento dos inspectores «raia quase o absurdo» e garantindo: «os pais do Rui Pedro e eu próprio não descansaremos enquanto isto isso não for apurado na sede própria».

Ricardo Sá Fernandes reafirmou que vai seguir todas as vias judiciais, eventualmente contra os inspectores.

«Acho que o nosso primeiro acto é confrontar a direcção da PJ com a extraordinária gravidade destas ocorrências», acrescentou aos jornalistas.

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