"O povo não quer que os partidos não se entendam. As ideias de Paulo Rangel são perigosas"

Pedro Roseta acusa Rangel de ter "ideias perigosas" e de defender o "orgulhosamente só" que levará Portugal a ser um "país ingovernável". O histórico social-democrata também critica a rejeição de acordos com o PS, e ataca o mote do eurodeputado de que, para mudar Portugal, também o PSD terá de mudar, dizendo que é uma narrativa "demagógica".

"Naturalmente estou com Rui Rio. Na sequência do que Sá Carneiro dizia, coloco as pessoas em primeiro lugar." Entrevistado por Fernando Alves, na Manhã TSF, Pedro Roseta diz acreditar que o projeto que o atual líder do PSD apresenta terá maior probabilidade de reverter alguns dos problemas que elenca como fulcrais em Portugal: um quinto das pessoas na pobreza, o baixo rendimentos das famílias, a morosidade da Justiça, dificuldade no acesso à saúde, a baixa competitividade em alguns setores, a "burocracia que o PS cria e favorece a corrupção".

O antigo ministro da Cultura critica Paulo Rangel por se isolar por completo das tentativas de acordo com os socialistas, e aponta que essa não é a forma de atingir o bem comum, pelo qual um partido como o PSD se deve pautar: "O povo não quer que os partidos não se entendam. Não aceita o orgulhosamente só de Rangel."

Para o histórico social-democrata, o eurodeputado candidato a líder privilegia "o clubismo", em detrimento da defesa do país, e considera como "uma proclamação demagógica e não verdadeira" a ideia apregoada por Rangel de que, para mudar Portugal, será necessário que o maior partido da oposição tenha uma nova liderança.

"As ideias de Paulo Rangel são perigosas", garante Pedro Roseta, que alerta que deixar pouco espaço para alianças é errado. Rememorando o passado histórico do bloco central, o antigo líder parlamentar refere que o fundador Sá Carneiro começou por propor aproximações ao PS, e que isso aconteceu várias vezes. "Essa é a linha que deve ser privilegiada", sustenta, assinalando que em toda a Europa os partidos fazem coligações quando necessário e que é uma "posição arcaica" ver nos acordos "muletas".

O social-democrata também acusa a campanha do opositor de Rio de se focar em "gritaria, de que Rangel parece gostar muito". Uma campanha que, de resto, diz ser "muito má", anunciando-lhe incongruências.

O líder do maior partido da oposição deve "dar resposta aos anseios do povo"; não é gritar, "dia sim, dia não, seja a António Costa, seja a quem for", salienta Pedro Roseta. O antigo governante no Executivo de Durão Barroso defende, por isso, que Rangel "não tem autoridade para criticar", e que "ninguém lhe encomendou sermão", já que o crítico da "suspensão da democracia", aquando da sugestão para adiamento das internas, "para facilitar o seu projeto pessoal, propôs adiar as legislativas para fim de fevereiro".

"Quem são eles para dizer o que é oposição? O eleitorado valoriza a posição de Rio. O papel dos políticos não é satisfazer os militantes, os partidos não são um clube. Os partidos servem para servir o bem comum." É o que advoga o histórico social-democrata, apoiante de Rio, sublinhando a "via espalhafatosa e espetacular" de Rangel que não serve para "fazer as reformas com persistência".

Quanto aos possíveis acordos com o PS que Rangel rejeita, caso seja primeiro-ministro, Pedro Roseta alerta: "O bloco central por acaso salvou Portugal da bancarrota nos anos 1980. Rangel disse que teria maioria absoluta, e se não tiver?" O que resultará de uma liderança de Paulo Rangel, sustenta o antigo líder parlamentar, é um "país ingovernável".

Outra das incoerências que atribui ao eurodeputado é a intenção já anunciada de propor um acordo no PS para fixar o número de ministérios, mas recusar-se - "nem pensar" - a fazê-lo quando se fala das "grandes questões nacionais".

"Para uma questão instrumental menor, já é possível acordo com o PS?", atira.

Pedro Roseta acredita, assim, que Rio será a melhor alternativa para substituir os atuais acordos com o Bloco e o PCP, que estão, na sua perspetiva a levar a que Portugal se torne um dos países mais pobres da cauda da Europa. Além disso, Rangel tem, "sem dúvida", um discurso mais à direita, sendo Rio capaz de capitalizar o voto centro-direita: pode apanhar votos em vários setores, mas aponta para o centro, que é como está a ser governada toda a Europa.

O primeiro convidado da semana em que a TSF acompanha o percurso até às diretas no PSD foi Pedro Roseta. A sua militância remonta praticamente à fundação do então PPD, tendo conhecido ainda em 1973 Sá Carneiro, que o convidou para aderir ao partido do qual viria a ser líder parlamentar. Foi presidente da comissão de relações internacionais do partido, embaixador de Portugal na OCDE e ministro da Cultura, no Governo de Durão Barroso. Nestas diretas, apoia Rui Rio.

A TSF iniciou, nesta segunda-feira, um ciclo de curtas entrevistas diárias com notáveis do PSD, partido cujas diretas se realizam no próximo sábado. Pela antena e site da TSF vão passar apoiantes declarados das candidaturas de Rio e Rangel, e, no último dia, alguém que se reclama equidistante.

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