A casaca dos deputados, o voto das mulheres e o botão de Nat​​​​​​​ália

É hoje lançada a segunda temporada da Banda Desenhada do Parlamento "Fora da Lei". São nove momentos marcantes de debates entre 1821 a 2001.

Vai ser preciso esperar pelo terceiro episódio para ler como, em 1912, o senador José de Castro intervém sobre o direito ao voto da mulher, no momento em que se debatia o Código Eleitoral.

"A mulher é igual ao homem? Não é, nem debaixo do ponto de vista fisiológico, nem debaixo do ponto de vista intelectual", dizia o senador José de Castro, naqueles primeiros anos do século passado, para concluir que "a mulher portuguesa não está suficientemente educada para ter o direito ao voto."

Certo é que quase oitenta anos depois, num debate em 1991, as protagonistas seriam duas mulheres deputadas: Natália Correia e Leonor Beleza: Beleza, do PSD, termina uma declaração política, Natália, deputada por PRD, pede a palavra para um pedido de esclarecimento, mas esquece-se de carregar no botão do microfone. Pelo meio do diálogo, ouvem-se frases como: "Aí é que é: é no esquecer do «botão» que está a nossa diferença, minha querida companheira, Sr.ª Deputada Maria Leonor Beleza! Preocupa-se excessivamente com o «botão»" ou "Sr.ª Presidente, se lhe dá prazer que eu utilize essa figura regimental, também me dará prazer a mim."

São dois exemplos dos novos episódios da Banda Desenhada do Parlamento cuja segunda temporada é lançada hoje. São nove momentos de debates, divididos por episódios, desde 1821 a 2001, que serão publicados às terças e quintas-feiras.

Neste primeiro episódio, fala-se de fatiotas: em 1821, os deputados discutem o que devem trajar no dia da vinda do Rei às Cortes: fala-se de casacas, uniformes, sedas e pano e até o filósofo Rousseau é citado.

Em próximos episódios, vai ser possível ver, em banda desenhada, por exemplo, o debate sobre o direito a um dia de descanso semanal (em 1907), ainda o ano quente de 76, quando se ouviu, na sessão, "vai chamar fascista ao Otelo", a moção de censura em que Mário Tomé (da UDP) chamou "reles aldrabão" ao presidente Ronald Reagan. Ou quando, em 2001, o então Presidente da Assembleia da República Mota Amaral pede à Deputada Odete Santos do PCP para concluir a intervenção ou terá de lhe "cortar a cabeça".

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