"A direita escorrega para a direita e o PSD acabará por ser colhido na enxurrada"

A convicção é de Carlos César, que acredita ainda que o Partido Social-Democrata não resistirá a um posicionamento "híbrido", pelo que se aproximará de forças políticas como o CDS.

Depois de um "congresso com muita projeção mediática", como foi o do CDS, Carlos César prevê um alinhamento do PSD cada vez mais à direita. "A direita escorrega para a direita e o PSD acabará por ser colhido na enxurrada", disse mesmo o presidente do Partido Socialista, no programa Almoços Grátis, da TSF.

"Se o PSD se poderá vir a aproximar do CDS, agora com uma liderança mais conservadora, o CDS é atraído pelo Chega, ao qual se chega para não ser subtraído nesse espaço", analisa o representante socialista.

Neste novo contexto, diz ainda Carlos César, o PSD pode não "resistir", dado o atual "posicionamento híbrido" dos sociais-democratas. Com a "progressão para o centro-esquerda bloqueada", Carlos César pressente um alinhamento com este "CDS mais à direita", apesar de o presidente socialista ter assistido a este congresso com a convicção de que "a substância programática desta viragem à direita [do CDS] acaba por ficar por se definir".

David Justino rejeita as possibilidades que Carlos César atira para cima da mesa. "Por momentos, senti-me a ir por uma ribanceira abaixo. O Carlos César confunde a análise com o desejo."

Quanto ao risco apontado pelo presidente do Partido Socialista, David Justino garante: "O PSD não corre o risco de se deixar arrastar por uma inundação." Sem ver um parceiro possível no PS, o social-democrata acrescenta que o PSD "terá de procurar à direita do PS" e admite que o CDS é o "parceiro natural".

"Nem creio que haja enxurrada nem creio que o PSD se deixe empurrar", assevera então o social-democrata. Apesar de ser uma ideia recorrente esta da crise das direitas, David Justino considera que há também uma "forma positiva" de a encarar: crise, na sua raiz etimológica, adota também o sentido de "renovação".

E David Justino vê mesmo "alguma capacidade de renovação das forças à direita do PS", numa altura em que a mudança se impõe. Para o antigo ministro da Educação, "o único fator de crise da direita é não estar no poder" e "é o ressentimento de não estar no poder".

Em 2015, relata David Justino, gerou-se a semente deste sentimento, quando a coligação mais votada "não pôde formar Governo". A forma como as forças políticas reagiram ao revés de serem "arredadas do poder", somado a uma "derrota copiosa nas autárquicas", já em 2017, espoletou no seio do CDS uma "perda de identidade", prossegue Justino.

"Assunção Cristas disse em Lamego: a doutrina não se proclama, põe-se em ação. Um pragmatismo inserido pela linha de Portas, mas o excesso de pragmatismo conduz a uma perda de identidade." Na ótica de David Justino, o congresso do CDS-PP demonstra uma "procura" dessa identidade perdida. Sem receios de "radicalização" dos centristas, David Justino considera que Francisco Rodrigues dos Santos é "um jovem aguerrido, muito dinâmico, com ideias novas mas com vontade de regressar aos valores tradicionais", não tão extremista como "querem fazer parecer" e com "retóricas que tendem a conquistar reações emotivas".

Apesar de não concordar com grande parte da moção de estratégia apresentada pelo novo líder centrista, acredita haver no documento "alguma coerência".

Já no PSD, ressalva Justino, "há uma linha muito precisa em termos estratégicos e políticos", pelo que o social-democrata vinca: "Não nos vamos deixar afetar por derrocadas à direita. A força de tração ou sucção não é assim tão forte", ironiza.

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