"A ferro e fogo". Autarcas do PSD/Aveiro criticam listas do partido

Os presidentes das câmaras de Espinho e de Santa Maria da Feira manifestaram hoje desagrado quanto ao processo de escolha dos candidatos do PSD por Aveiro, com críticas ao presidente da distrital e vice do partido, Salvador Malheiro.

Em declarações à Lusa, o autarca de Espinho, Joaquim Pinto Moreira, afirmou que "a distrital de Aveiro do PSD está a ferro e fogo" e que o ambiente atual é "totalmente desmobilizador e desmotivador" para militantes e apoiantes do partido.

"Ando na vida política há muitos anos e esta é uma coisa nunca vista. Foi um processo totalmente autofágico, em que a comissão política distrital não se reuniu para tomar uma decisão em conjunto sobre a ordem da lista e em que as escolhas foram feitas unicamente por Salvador Malheiro através do [aplicativo telefónico] Whatsapp, quando a situação exigia uma discussão democrática que envolvesse toda a gente, em presença, para ser o mais consensual possível", declarou o autarca.

Pinto Moreira é ainda particularmente crítico quanto à forma como foi conduzido o afastamento de algumas personalidades de relevo na estrutura social-democrata de Aveiro: "É desrespeitoso afastarem-se pessoas como Amadeu Albergaria e Regina Bastos sem que lhes seja dirigida uma única palavra, num ato de total desprezo pelo serviço brilhante que durante tantos anos prestaram ao distrito e à própria nação".

Pinto Moreira e Emídio Sousa afirmaram aguardar reformulações da lista eleitoral após candidatos como Rui Vilar, presidente da concelhia de Arouca e candidato proposto também por Castelo de Paiva, terem afirmado que recusam integrá-la.

Rui Vilar renunciou ao cargo de vogal na comissão política distrital e desistiu de concorrer ao parlamento depois de se ver em lugar inelegível, afirmando, em declarações à Lusa, ter visto "com estranheza" o seu nome na lista aprovada no conselho nacional do PSD realizado terça-feira em Guimarães.

"Não me revejo nela nem na estratégia adotada para este processo das eleições legislativas" reafirmou.

O secretário-geral da distrital de Aveiro, Henrique Araújo, também já colocou o seu mandato na estrutura distrital "à disposição" e, na rede social Facebook, afirmou: "Não aceitei abraçar nenhum projeto nacional do PSD. (...) Estou apenas disponível para continuar o projeto político e partidário do PSD de Ovar (...) e, profissionalmente, para exercer as funções que atualmente desempenho de adjunto da presidência [na Câmara de Ovar], enquanto Salvador Malheiro assim o entender".

Emídio Sousa, presidente da Câmara Municipal da Feira, também expressou à Lusa o seu "profundo desagrado" quanto à lista do PSD por Aveiro e, em particular, quanto à saída de Amadeu Albergaria, que considera "um dos melhores deputados do partido".

Depois de ter criticado o "secretismo" envolvido na definição dos candidatos e as "surpresas" reveladas "à última hora", o autarca e ex-presidente da Área Metropolitana do Porto realçou que o concelho da Feira representa "quase 25% do eleitorado do distrito", o que torna "inadmissível que Salvador Malheiro tenha ignorado Amadeu Albergaria como o candidato aprovado por unanimidade por todos os presidentes de Junta do município".

Tal como Pinto Moreira, também Emídio Sousa criticou a ausência de reuniões prévias para análise de possíveis escolhas: "Em todos os anos que levo de participação política, sempre houve diálogo nestas alturas e, embora sendo inevitável a insatisfação de quem é excluído, esta é a primeira vez em que não se assistiu a nenhuma tentativa de conciliar o interesse de todos da melhor forma possível", acusou.

A responsabilidade pelo ambiente de "ferro e fogo" na distrital foi atribuída pelos dois sociais-democratas ao presidente da distrital de Aveiro e vice-presidente do PSD, Salvador Malheiro, acusando-o de ter conduzido o processo sem explicar as suas opções às concelhias e "desrespeitando" o contributo de parlamentares experientes agora afastados, como Amadeu Albergaria, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, e Regina Bastos, ex-eurodeputada e ex-secretária de Estado.

Contactado pela Lusa, Salvador Malheiro reconheceu "alguma insatisfação", mas defendeu que, tendo o distrito 19 concelhias e três outras estruturas autónomas sociais-democratas para considerar, "é natural que este processo doloroso e muito difícil vá sempre desagradar a várias pessoas".

Quanto aos procedimentos adotados para selecionar a ordem dos candidatos, assegurou: "Os estatutos e orientações emanados dor órgãos nacionais foram integralmente cumpridos. Primeiro reuniu-se a comissão política distrital alargada, para verificar as indicações recebidas, e depois a decisão final foi tomada pela estrutura nacional e pela distrital - não por mim individualmente".

Quanto às renúncias já manifestadas, Salvador Malheiro diz que vai "deixar os ânimos acalmarem-se" e depois insistirá para que os envolvidos continuem em funções. "Não aceitei nenhuma renúncia e, no caso do Rui Vilar, compreendo que não quer concorrer na lista, mas considero-o um excelente ativo do partido e não pretendo deixá-lo afastar-se", adiantou.

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