A vacina é um voto. Portugueses construíram maioria que "nenhuma eleição deu a ninguém"

Marcelo Rebelo de Sousa vê na adesão à vacinação um exercício de democracia e apela a quem ainda não votou - leia-se vacinou - para o fazer.

A metáfora é nova e o Presidente da República decidiu estreá-la, esta quinta-feira, no final da reunião sobre a Covid-19 no Infarmed: "O povo português votou e uma forma de voto foi vacinar-se. E votou com uma maioria que ainda nenhuma eleição deu a ninguém."

Marcelo Rebelo de Sousa já tinha realçado os elogios à vacinação portuguesa recebidos esta quarta-feira, em plena reunião do Grupo de Arraiolos, em Roma, onde Portugal era "de longe o que tinha a taxa de vacinação mais elevada" entre os países com representantes presentes, e relembrou-o já com os pés bem assentes em Portugal.

"Olhavam para Portugal como um exemplo daquilo que tinha sido a viragem" no combate à pandemia. E "só foi possível fazer este processo porque foi havendo vacinas", notou também o Presidente da República, que realçou o trabalho do Governo - em especial de Temido e Costa - para obter vacinas na Europa e mesmo fora dela.

Sem esquecer a importância da articulação entre as Forças Armadas e o Ministério da Saúde, e em especial com o papel desempenhado por Gouveia e Melo, Marta Temido e Graça Freitas, o chefe de Estado também sublinhou que "houve uma equipa e houve liderança. Sem equipa não era possível e sem liderança não era possível".

Depois viria a revelação: mesmo na sua família, conheceu "muitos jovens que hesitaram na vacinação". Mas o importante mesmo foi o momento "em que decidiram avançar".

E a resposta desses, como a de todos os portugueses, foi "uma chave" que não foi possível noutros países da Europa. Daí "a percentagem esmagadora dos vacinados" e o número, "que foi diminuindo, dos que tinham resistência à vacinação".

No fundo, defendeu Marcelo, foi a democracia a funcionar e a aplicar-se à saúde pública. "O povo português votou e uma forma de voto foi vacinar-se. E votou com uma maioria que ainda nenhuma eleição deu a ninguém." A mais alta - e histórica - maioria conquistada por um político em eleições nacionais foi a de Mário Soares nas presidenciais de 1991: ganhou com 70,35% dos votos.

Sem esquecer a testagem e a sua importância, bem como a exigência do certificado digital, Marcelo Rebelo de Sousa lançou também a esperança de que os 86% de portugueses totalmente vacinados no final de setembro - número avançado por Gouveia e Melo - passem um dia a 100%.

"Neste momento teremos de admitir que está a existir uma preocupação de esclarecimento atempado de tudo o que podem ser as fases seguintes e, por outro lado, uma calendarização daquilo que é preciso fazer ou não na sociedade portuguesa, mas a palavra final é dos portugueses", sublinha. "Os portugueses votaram, e isso é um exemplo de democracia."

"Mas há uns que não votaram e ainda vão a tempo de votar. Foi assim que convenci netas minhas" que precisavam de vacinar-se para ir viver com os pais noutros países, confidenciou numa sala em que as paredes não só tinham ouvidos, como estavam em direto para todo o país.

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